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Ameaça terrorista descongela orçamentos europeus

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Gonzalo Fuentes / Reuters

Depois de vários anos de austeridade, a ameaça terrorista obriga os governos europeus a elevar os gastos com a segurança. França, Bélgica, Alemanha e Reino Unido estão entre os países que reforçaram o número de agentes nas ruas e os meios de combate contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria

Desde 2010 que a Europa estava habituada a apertar os cordões à bolsa, impondo medidas de austeridade face à crise. Com os ataques do passado dia 13 de novembro, em Paris - que causaram 130 mortos e 350 feridos -, a ameaça terrorista voltou a ser permanente, obrigando os governos europeus a elevar os gastos com a segurança.

Os países da Europa Ocidental deverão aumentar a despesa na área militar na ordem dos 50 mil milhões para 215 mil milhões até 2019, disse Fenella McGerty, analista da IHS Jane's Defence Budgets, em Londres, citada pelo “New York Times”.

É o caso da França, que gasta diariamente cerca de um milhão de euros com 10 mil agentes nas ruas com mais meios. Três dias após os atentados, François Hollande anunciou num discurso perante as duas câmaras do Parlamento que haverá reforço dos agentes de polícia nos próximos anos, com a criação de cinco mil lugares até 2017 e outros mil na vigilância das fronteiras. Além disso, não haverá redução do número de efetivos das Forças Armadas até 2018, segundo o governante.

França não cumpre regra dos 3% no défice

O estado gaulês reforçará os meios de combate militares, além de gastar milhões de euros com mais vigilância e programas para evitar a radicalização de jovens islâmicos.

Este aumento da despesa com a segurança levará a França a não cumprir a meta de 3% do défice, conforme já avisou o primeiro-ministro francês, Manuel Valls. “Nós temos que enfrentar isto e a Europa deve entendê-lo. É também altura da União Europeia e da Comissão Europeia perceberem que esta luta contra o terrorismo diz respeito às preocupações de França, mas também de toda a Europa”, defendeu Valls, em entrevista à France Inter Radio.

O Presidente francês sustentou, por sua vez, que “a segurança tem primazia sobre o Pacto de Estabilidade”, declarando “guerra contra o terrorismo”.

Tal facto exige maior flexibilidade de Bruxelas relativamente aos planos orçamentais. O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, já teve oportunidade de garantir que o governo francês não será penalizado por não cumprir a meta do défice, frisando que as regras orçamentais não são “estúpidas”.

Entretanto, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker também sustentou que a segurança é prioritária. “Estamos a enfrentar sérias ameaças. A França, tal como outros países, têm que ter à sua disposição meios suplementares [de reforço de segurança e de combate ao terrorismo]”, afirmou Juncker.

Alemanha gasta até 141 mil milhões

O governo alemão deverá gastar entre 130 a 141 mil milhões de euros a nível militar, nos próximos 15 anos, enquanto o Executivo belga estima também um aumento do orçamento relativo ao gastos com o reforço de agentes nas ruas e nas fronteiras.

O Reino Unido prevê, por seu turno, uma subida da despesa com a segurança na ordem dos 16 mil milhões de euros, com mais patrulha marítima e aérea. David Cameron autorizou também a criação de um novo centro de Ciber-espionagem, com vista à identificação de jiadistas.

Para além do reforço da segurança interna, França, Bélgica, Alemanha e Reino Unido aumentarão também os gastos com os meios de combate da coligação internacional contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque e na Síria.