Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“A não ser que eu ganhe, tudo isto será uma grande, bonita e dispendiosa perda de dinheiro”

  • 333

Tem sido uma campanha de frases fortes

ANDREW WINNING / Reuters

Hillary Clinton recebe dinheiro de lóbis económicos, Donald Trump empresta dinheiro a si próprio para comprar bonés. Os dólares (muitos, bonitos) da corrida às presidenciais norte-americanas

“A não ser que ganhe, tudo isto será uma grande, bonita – e, já agora, muito dispendiosa – perda de dinheiro.” A frase é do milionário Donald Trump, na véspera do arranque das primárias, esta segunda-feira. Mas não será difícil adivinhar que, feitas as contas ao sonho de ser Presidente dos EUA, todos os candidatos estarão a pensar o mesmo.

No dia em que o estado do Iowa vai a votos e dá uma primeira visão sobre quem tem ou não pernas para vencer a corrida à Casa Branca, são também publicadas as contas dos candidatos pela Comissão Federal de Eleições americana. O relatório revela as despesas que uma nomeação partidária para Presidente dos EUA acarreta, num custo total que até à data já ultrapassa aos 430 milhões de dólares (397 milhões de euros).

Os dados indicam que os candidatos do Partido Republicano receberam mais dinheiro, num total de 240 milhões de dólares (221,5 milhões de euros). Mas o manancial de candidatos no partido – 12 vão a votos no Iowa, já foram 17 – faz com que os dois principais democratas, Hillary Clinton e Bernie Sanders, sejam líderes isolados no total de contribuições recebidas.

Democratas somam para seguir

Na corrida ao dinheiro dos Democratas, a experiência na Casa Branca conta. Hillary Clinton toma a dianteira, com 112 milhões de dólares (103,3 milhões de euros) recolhidos, contra os 73 milhões de dólares (67,3 milhões de euros) de Bernie Sanders. Porém, a grande distância de financiamento não se tem refletido nos números, com as sondagens a colocar os dois candidatos mais próximos do que nunca. É aliás este o principal argumento da campanha de Sanders, que cola a antiga secretária de Estado de Obama aos interesses dos grandes grupos económicos.

O antigo senador do Vermont, por sua vez, tem baseado o seu financiamento nas pequenas doações dos apoiantes da sua política de combate a Wall Street. A estratégia parece resultar, uma vez que o candidato diz ter recebido 20 milhões de dólares (18,4 milhões de euros) apenas em janeiro, um valor recorde para o “socialista”. Ambos gastam grande parte dos seus orçamentos em publicidade e tempo nos meios de comunicação, cruciais a conquistar a preferência dentro do partido.

Já o terceiro candidato à nomeação do Partido, Martin O’Malley, terá uma situação delicada na hora de pagar as contas. A campanha do candidato está com uma dívida de 530 mil dólares (489,2 mil euros), sem que O’Malley consiga descolar do fundo das sondagens.

O relatório estima que Hillary Clinton já angariou 112 milhões de dólares para a sua campanha. Os seus rivais acusam-na de que estas quantias a farão "refém dos interesses de Wall Street"

O relatório estima que Hillary Clinton já angariou 112 milhões de dólares para a sua campanha. Os seus rivais acusam-na de que estas quantias a farão "refém dos interesses de Wall Street"

SCOTT MORGAN / REUTERS

O magnata Trump contra máquinas pouco oleadas

Do lado dos republicanos, onde há mais pretensões que verdadeiros candidatos, os números mais interessantes vêm do líder das sondagens Donald Trump. O milionário que faltou ao último debate do Partido Republicano não hesita em autofinanciar a sua campanha, tendo emprestado a si mesmo cerca de 12 milhões de dólares (11,07 milhões de euros) , desde que anunciou a sua candidatura.

Se a campanha de Trump já parece diferente de todas as outras no conteúdo, cheio de palavras controversas, também o é na forma como gasta o dinheiro que tem. Depois de muitos anos como estrela da TV americana, Trump não gasta dinheiro com os meios de comunicação e ainda aparece em todas as manchetes (o seu adversário direto Ted Cruz gasta perto de dois milhões de dólares - 1,84 milhões de euros - por menos de metade da atenção). Em vez de esbanjar a sua fortuna na TV, Trump gastou perto de 500 mil dólares (461,5 mil euros) em bonés, onde exibe o lema da campanha: “Make America Great Again”.

O resumo dos gastos da campanha de Donald Trump - muito para ações de campanha, pouco para a TV - mostra que, para o bem ou para o mal, o mediatismo de um candidato não se paga

O resumo dos gastos da campanha de Donald Trump - muito para ações de campanha, pouco para a TV - mostra que, para o bem ou para o mal, o mediatismo de um candidato não se paga

DAVE KAUP / REUTERS

Mas não é só o dinheiro que faz um candidato. Foi esse o caso do neurocirurgião Ben Carson, candidato que recebeu 85% das suas doações antes de 13 de novembro, data dos atentados de Paris. Ao não apresentar uma estratégia de política externa quando todos os outros clamavam pela invasão da Síria, o volume de contribuições sofreu uma derrocada, bem como os números das sondagens, onde o republicano já foi favorito e agora é esquecido.

A “máquina” de dinheiro de Jeb Bush, o candidato cujas ideias trazem esperança e o apelido más memórias, também foi uma das que mais abrandou. A “falta de energia” de que o irmão mais novo do antigo Presidente George W. Bush é acusado pelos rivais parece ter-se alastrado às suas fortes angariações de fundos, que na segunda metade de 2015 conseguiram sete vezes menos que na primeira metade do ano. Com o dinheiro caíram também as sondagens: Jeb é agora 6.º entre os republicanos e só uma surpresa lhe garantiria a nomeação.

Os resultados de todos estes ganhos e despesas saber-se-ão no fim de junho, com os resultados finais das eleições primárias e a subsequente nomeação de um candidato de cada partido. A votação começa esta segunda-feira no Iowa, seguindo-se Nova Hampshire, Nevada e Carolina do Sul até final de fevereiro.