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OMS alerta que Zika poderá ser ameaça maior que o ébola

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Mulheres na Colombia recebem panfletos com informação sobre o vírus zika, distribuídos numa estação em Bogotá

JOHN VIZCAINO / REUTERS

O alerta é feito por especialistas da Organização Mundial de Saúde e surge na véspera de uma reunião de emergência da OMS para discutir a dimensão da ameaça trazida pelo vírus

O vírus Zika poderá ser uma ameaça maior do que a epidemia de Ébola que matou mais de 11 mil pessoas em África, segundo os especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), citados pelo jornal britânico “The Guardian”.

As declarações surgem na véspera de uma reunião de emergência da OMS, que se realiza esta segunda-feira e na qual será decidido se a ameaça trazida pelo vírus Zika deve ou não ser considerada como uma crise global de saúde.

“De muitas formas, o surto do zika é pior que a epidemia de ébola de 2014 e 2015”, disse Jeremy Farrar, presidente do Wellcome Trust, citado pelo “The Guardian”. “A maioria dos portadores do vírus não tem sintomas. É uma infeção silenciosa num grupo de indivíduos muito vulneráveis - as mulheres grávidas - que é associado a um terrível resultado para os seus bebés”, acrescentou.

“O verdadeiro problema é que tentar desenvolver uma vacina que teria de ser testada em mulheres grávidas é um pesadelo em termos práticos e éticos”, afirmou ao jornal britânico Mike Turner, diretor do departamento de infeção e imunobiologia do Wellcome Trust.

Na passada quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde já tinha reconhecido que a epidemia de zika está a “propagar-se de maneira explosiva” no continente americano.

“O nível de alerta é extremamente alto” para esta epidemia, afirmou a diretora global da OMS, Margaret Chan, durante uma reunião em Genebra, temendo-se “uma potencial disseminação internacional”.

Particularmente preocupante é a situação no Brasil, onde o aumento de casos de microcefalia está a ser relacionado com a doença. A correlação não está provada, mas existe também a suspeita de existir uma relação entre o vírus e a ocorrência de um problema neurológico conhecido como síndrome de Gullain-Barré.

As recomendações da DGS em Portugal

Em Portugal, até sexta-feira, foram diagnosticados seis casos de zika. Segundo a informação disponibilizada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Ricardo Jorge, à exceção do sexto caso, a infeção foi adquirida no Brasil.

Estão neste grupo dois homens e três mulheres, quase todos com mais de 40 anos. Sabe-se ainda que dois dos infetados estiveram na cidade de Fortaleza, no nordeste do Brasil.

A infeção zika surge através da picada do mosquito Aedes aegypti e não está confirmado que seja transmitida entre seres humanos através das relações sexuais e do sangue.

Segundo a DGS, "os sintomas e sinais clínicos da doença são, em regra, ligeiros" e incluem "febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares". Há ainda, "com menor frequência, dores nos olhos e sintomas gastrointestinais".

A DGS recomenda a mulheres grávidas que não viajem para países com o vírus. "Perante a possibilidade desta doença causar malformações em fetos e a fim de eliminar este risco, a DGS recomenda que as grávidas não se desloquem, neste momento, para zonas afetadas", lê-se no comunicado da autoridade, assinado pelo diretor-geral da Saúde.

É ainda feita outra recomendação: "as grávidas que tenham permanecido em áreas afetadas devem consultar o médico de família ou o obstetra após o regresso, mencionando a viagem".

  • Um homem de 27 anos, que nunca viajou para o estrangeiro, foi infetado com o vírus. O caso foi encontrado no âmbito de um estudo sobre o dengue. Investigadores adiantam que o vírus circulou “por algum tempo” no país

  • Casos de zika confirmados em Portugal sobem para seis

    Caso mais recente foi identificado em Lisboa. Sintomas e sinais clínicos da doença incluem “febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares”. E “há suspeitas (ainda não inteiramente comprovadas) de que a doença possa provocar alterações fetais durante a gravidez”. OMS vai reunir de urgência na próxima segunda-feira

  • Os médicos nunca viram nada assim. “Há uma geração comprometida”

    Crianças com cabeças demasiado pequenas, mães assustadas e médicos em choque. Foi em Pernambuco que a epidemia brasileira de vírus zika começou e os dois médicos que detetaram a ligação à malformação neurológica falam ao Expresso sobre a infeção que está a alarmar o mundo. “Eu tenho 44 anos de experiência médica e já vi muita coisa: poliomielite, cólera, o vírus da gripe (H1N1), surtos de difteria e de sarampo. Mas nunca tinha visto nada como agora e nem com estas consequências”, dizem. “No início, as mães ainda acreditam que a cabecinha do bebé vai crescer, que a criança irá ficar normal. E somos nós que temos de explicar que não será assim”