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Internacional

Crianças refugiadas são alvo de organizações de tráfico humano

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ARMEND NIMANI/AFP/Getty Images

Pelo menos dez mil menores que chegaram à Europa desapareceram misteriosamente depois de terem sido registados pelas autoridades. Muitos caem nas mãos de organização de tráfico humano para abuso sexual ou escravatura, avança a Europol

A crise dos migrantes e refugiados que assola a Europa, a maior desde a Segunda Guerra Mundial, esconde muitas outras crises. Uma delas, a das crianças desacompanhadas que chegam à Europa e que desaparecem misteriosamente depois de serem registadas pelas autoridades. Desde o início da crise foram pelo menos dez mil. Muitas destas caem ainda nas mãos de organizações de tráfico humano que, segundo sublinhou a Europol ao jornal britânico “Observer”, estão agora a colocar os refugiados como alvo.

“Nem todas serão exploradas criminalmente; algumas foram entregues a famílias. Apenas não sabemos onde estão, o que estão a fazer ou com quem estão”, afirma Brian Donald, chefe de gabinete da Europol, citado pelo “The Guardian”.

Ainda assim, a Europol confirma ter recebido provas que algumas crianças refugiadas desacompanhadas na Europa foram abusadas sexualmente, apontando países como a Alemanha e a Hungria para referir os grandes números de criminosos detidos por explorar migrantes e refugiados, nas mais variadas formas: seja através de tráfico humano para abuso sexual e escravatura ou contrabando de refugiados para dentro da UE. “Uma infraestrutura totalmente criminosa desenvolveu-se ao longo dos últimos 18 meses para explorar o fluxo migratório.”

Para além de estar a colaborar com outras organizações na rota dos Balcãs, A Europol alerta a população para estar vigilante, relatando que a maioria das crianças refugiadas que desapareceram estarão à vista de todos. “Estas crianças estão na comunidade, se estão a ser abusadas é nas comunidade. Como população, devemos estar atentos.”

Segundo a organização Save the Children, cerca de 26 mil crianças desacompanhadas entraram na Europa em 2015. A Europol acredita que 27% (270 mil) dos refugiados que chegaram à Europa no ano passado eram menores de idade: “nem todos estavam desacompanhados, mas temos também provas que será uma larga proporção”, sublinha Brian Donald.