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Oposição síria vai a Genebra para avaliar participação nas negociações para a paz

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STR/AFP/Getty Images

A oposição síria, que tinha decidido não estar presente nas negociações em Genebra, parece ter mudado de ideias. E decidiu deslocar-se este sábado à Suíça para avaliar a “seriedade” do regime de Bashar al-Assad e da comunidade internacional no cumprimento das “obrigações humanitárias” para com o povo da Síria

As negociações que, desde sexta-feira à noite, decorrem em Genebra têm como objetivo principal provocar um diálogo - mediado pela ONU - entre as partes do conflito. O objetivo é alcançar a paz na Síria, colocando um ponto final ao conflito que dura há quase cinco anos.

Mas nada está ainda garantido. Representantes do maior bloco de oposição ao Governo de Bashar al-Assad decidiram não aparecer no início das negociações, ainda que já tenham garantido que irão a Genebra para ver se as negociações para a paz têm condições para continuar.

Uma delegação de 17 negociadores e 25 representantes do maior bloco da oposição síria, o Alto Comité de Negociações, apoiado pela Arábia Saudita, chega então este sábado à noite à cidade suíça onde irá decidir se participa ou não nas conversações.

“Iremos a Genebra para testar a seriedade da comunidade internacional em cumprir as suas promessas ao povo sírio e a seriedade do regime na implementação das suas obrigações humanitárias”, declarou à Reuters o porta-voz do grupo de oposição Riyad Naasan Agha. Obrigações que incluem permitir que camiões de ajuda humanitária possam chegar às áreas cercadas pelos rebeldes, onde milhares de pessoas vivem em condições extremas, e o cessar dos bombardeamentos indiscriminados de mercados, hospitais e escolas pelas forças do regime, apoiadas pela Rússia.

Negociações entre salas

O enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, afirma ter “boas razões para acreditar” que a delegação do Alto Comité de Negociações irá juntar-se à delegação de Bashar al-Assad no domingo. “Tenho boas razões para acreditar que [as partes] consideram, muito seriamente, iniciar as negociações, talvez no domingo.”

Mas as negociações, que se espera que durem seis meses não serão fáceis. Não colocam na mesma mesa representantes do Governo e oposição síria. As duas partes ficarão em salas separadas e os representantes da ONU andarão de sala em sala a apresentar as propostas.

O grupo curdo PYD (considerado pela Turquia como terrorista) e os grupos terroristas Daesh (autodenominado Estado Islâmico) e Frente al-Nusra não participarão nas negociações.

Esta é, para já, a solução diplomática encontrada para acabar com uma guerra que dura há quase cinco anos, que já provocou a morte de mais de 250 mil pessoas, deixou cerca de 11 milhões desalojados e que é um dos grandes motores da crise de refugiados que assola a Europa.