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Merkel espera que refugiados voltem para o seu país depois da guerra terminar

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MICHAELA REHLE

“Precisamos... de dizer às pessoas que este é um estatuto temporário de residência e que esperamos que, quando a paz na Síria for alcançada, quando o [autodenominado] Estado Islâmico for derrotado no Iraque, vocês voltem para o vosso país natal com o conhecimento que já adquiriram”, proferiu este sábado

Numa tentativa de acalmar as vozes críticas que se levantam na Alemanha contra a sua política de abertura aos refugiados, a chanceler Angela Merkel afirmou este sábado, durante um encontro regional do seu partido, a União Democrática Cristã (CDU), que os refugiados não poderão ficar no país durante um período ilimitado de tempo.

“Precisamos... de dizer às pessoas que este é um estatuto temporário de residência e que esperamos que, quando a paz na Síria for alcançada, quando o [autodenominado] Estado Islâmico for derrotado no Iraque, vocês voltem para o vosso país natal com o conhecimento que já adquiriram”, declarou, relembrando ainda que, nos anos 90, os refugiados que chegaram à Alemanha vindos da ex-Jugoslávia voltaram para a sua terra natal.

O apoio ao bloco conservador na Alemanha tem vindo a diminuir cada vez mais, na sequência da crise de migrantes e refugiados que chegou à Europa e da série de assaltos na cidade de Colónia, realizados por homens com aparência árabe e africana. Apesar de criticada, Merkel resistiu às pressões da oposição para bloquear a entrada de refugiados, bem como às críticas dos seus apoiantes.

As declarações de Merkel surgem depois do líder da União-Social Cristã (CSU), braço da CDU na região da Bavaria, ter ameaçado levar o Governo a tribunal se o fluxo de refugiados não for contido. Em entrevista ao jornal “Mannheimer Morgen”, Horst Seehofer falou na importância da criação de “instalações de proteção de fronteiras”, referindo que os guardas de fronteira deveriam, caso fosse necessário, disparar sobre os que tentassem entrar ilegalmente no país. “Eu também não quer isso mas, no limite, a dissuasão passar pelo uso da força armada.” Um comentário que, como sublinha a Reuters, pode evocar memórias da divisão da Alemanha durante a Guerra Fria.