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“Estamos a perder a luta” para o Zika

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ANDRESSA ANHOLETE/Getty Images

Dilma Rousseff lembrou que o combate contra o mosquito Aedes aegypti não se trata apenas de uma tarefa governamental, mas sim de todos os cidadãos. Desde sexta-feira, estão nas ruas do Brasil 220 mil homens a limpar possíveis focos de zika

“Enquanto o mosquito se reproduzir, estamos a perder a luta”, admitiu Dilma Rousseff, em conferência de imprensa, esta sexta-feira, sobre o combate ao vírus zika. No entanto, a presidente brasileira refere que os brasileiros estão prontos a lutar e apelou à mobilização.

“Dizer que estamos a perder [a guerra] é porque queremos ganhar. Queremos ganhar. Estamos a dizer: se não nos mobilizarmos, vamos perder isto. Vamos mobilizar-nos", afirmou Dilma. “Estamos a perder. Enquanto o mosquito se reproduzir, estamos a perder a luta. Se eu dissesse que estamos a ganhar a luta, estaríamos numa fase mais avançada. Mas vamos ganhar esta luta. Nós vamos mostrar que o povo brasileiro vai ganhar essa guerra”, acrescentou.

As declarações da presidente do Brasil surgiram no final de uma videoconferência com os governadores de São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia, precisamente sobre a organização de ações de combate ao mosquito. Mas vencer a “guerra” não depende apenas das instituições governamentais.

“O que os governos responsáveis têm de fazer? O que os cidadãos têm de fazer? Temos de erradicar o criadouro do mosquito. Os governos, as igrejas, os times de futebol, os sindicatos, temos que eliminar a água parada”, disse Dilma num claro apelo à mobilização da população brasileira.

Desde sexta-feira, cerca de 220 mil operacionais estão encarregues de fazer limpezas “em todas as repartições públicas federais” para eliminar “possíveis focos” do Aedes aegypti.

Durante a noite de sexta-feira para sábado, Barack Obama telefonou à sua homóloga brasileira para “partilhar preocupações” sobre a propagação do vírus. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou uma reunião de urgência para em 1 de fevereiro, devido à “maneira explosiva” como o zika se propaga (apenas no continente americano são esperados entre três a quatro milhões de casos).

A infeção transmite-se, como o chikungunya ou a dengue, por uma picada de mosquito e manifesta-se por sintomas gripais (febre, dor de cabeça, dores musculares) com erupções cutâneas. Não existe antiviral contra o vírus. Apenas tratamento daqueles sintomas, que por vezes passam desapercebidos e são geralmente benignos.

Porém, apesar de benigna na aparência, a infeção é suspeita de causar graves malformações congénitas cerebrais ao feto nas mulheres grávidas infetadas, designadamente a microcefalia, que é um desenvolvimento insuficiente da caixa craniana.