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Oposição síria falha ronda de negociações em Genebra para a paz

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O conflito na Síria já matou mais de 260.000 pessoas e deslocou milhões. As duas rondas anteriores de negociações falharam os objetivos de paz

ABDELRAHMIN ISMAIL/REUTERS

A plataforma de oposição criada na Arábia Saudita tinha imposto como condição para o envio de uma delegação o cumprimento da resolução das Nações Unidas, que prevê o fim dos bombardeamentos e do cerco de zonas civis, assim como a garantia de ajuda humanitária

Começaram mal as negociações para a paz na Síria, esta sexta-feira em Genebra, sob os auspícios das Nações Unidas, com a oposição ao regime de Bashar al-Assad a faltar à chamada.

A ausência já tinha sido comunicada. A plataforma de oposição criada na Arábia Saudita no mês passado avisou esta quinta-feira que a sua delegação não participaria na terceira ronda de negociações sem o regime implementar a resolução da ONU que prevê o fim dos bombardeamentos e do cerco de zonas civis. Exigia ainda que se cumprissem os seus pedidos para garantir a ajuda humanitária.

A importância do encontro de Genebra tem sido sublinhada com insistência, com o enviado das Nações Unidas a apelar a um entendimento. “Cinco anos de conflito é demasiado. O terror está à vista de todos. Contamos com a voz de todos, para que digam ‘basta’. Este encontro não pode falhar”, afirmou Staffan de Mistura, o enviado da ONU.

O objetivo é alcançar um acordo sobre um governo de transição, uma nova Constituição e a realização de eleições dentro de 18 meses.

O enviado das Nações Unidas defendeu ainda uma participação ativa de grupos de mulheres e de representantes da sociedade civil que, na sua opinião, estiveram pouco representados nos processos anteriores.

Numa mensagem em vídeo, Staffan de Mistura dirigiu-se a “cada homem, mulher, criança sírios, dentro e fora da Síria, nos campos de refugiados ou onde quer que estejam” apelando a que digam “basta” ao conflito e expressem as expectativas depositadas nos participantes nas negociações, para que estes tenham noção de que o momento para “alcançar uma solução pacífica para a Síria é agora”.

De acordo com as autoridades, as negociações para terminar com o conflito na Síria - que já matou mais de 260.000 pessoas e deslocou milhões para longe das suas casas - devem prolongar-se por seis meses, com a primeira ronda a durar duas a três semanas.

As duas séries de negociações anteriores, denominadas Genebra 1 e Genebra 2, falharam na obtenção de resultados.