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Hollande e Rouhani: dois Presidentes que o vinho separa e os negócios unem

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Os Presidentes da França e do Irão acompanham a assinatura de acordos económicos entre os dois países. Paris, Palácio do Eliseu, 28 de janeiro... sem direito a brinde para celebrar os negócios

STEPHANE DE SAKUTIN / EPA

Um almoço de chefes de Estado demora meses a ser discutido e pode acabar sem comida na mesa. Foi o que aconteceu durante a visita a França do Presidente do Irão, recebido esta quarta-feira no Palácio do Eliseu. Rouhani até poderia ter almoçado com Hollande, mas este anunciou há mais de dois meses que não abdica do direito a servir vinho no seu país. Sem repasto, só falaram de negócios... e à tarde

Mohammad Javad Zarif, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, é um homem atento à crescente importância do twitter e das redes sociais. No final do primeiro dia da visita do Presidente Rouhani a França, Zarif twettou: “A visita do Presidente do Irão a França ilustra o poder da diplomacia, e uma nova era de cooperação mutuamente benéfica na economia, política e cultura”.

Rápido, contemporâneo, Zarif foi direito à importância dos negócios que unem François Hollande e Hassan Rouhani:a assinatura de um contrato para a compra de 114 aviões Airbus, esta quarta-feira em Paris, foi um dos pontos mais importantes da visita de Rouhani a França.

Bons negócios não fazem bons almoços

Diz-se que as boas contas fazem os bons amigos, mas esta visita oficial do Presidente iraniano a França vem provar que os bons negócios podem acabar com os bons almoços. Mesmo quando a ementa destes começa a ser discutida pelo protocolo de Estado dos dois países com três ou mais meses de antecedência.

Quatro dias antes dos atentados de Paris de 13 de novembro, a imprensa francesa e internacional relatou um incidente protocolar na preparação da visita de Rouhani a França. Os planos iniciais previam que Hollande tivesse oferecido um almoço no Eliseu ao Presidente iraniano e comitiva mas... há um mas, Hollande não esteve disposto a ceder à exigência alimentar feita pelo Irão.

Afasta esse cálice François

O Presidente do Irão não consome bebidas alcoólicas, em respeito pelos fundamentos do Islão. O problema é que além de não beber, também pediu - ou pelo menos o protocolo iraniano pediu - que não fosse servido álcool durante o almoço de Estado que chegou a estar previsto.

Os iranianos tinham feito um pedido idêntico ao protocolo de Estado italiano, e tanto o Presidente Sergio Matterella, quanto o primeiro-ministro Matteo Renzi concordaram em não servir vinho ao almoço e jantar.

Hollande não esteve pelos ajustes, e fez questão de manter o tradicional empenho do protocolo de Estado francês que passa pela oferta de uma seleção dos melhores vinhos franceses durante os almoços e jantares oficiais.

Os iranianos entenderam que não deveriam estar presentes numa refeição onde iria ser servido vinho. E a verdade, é que já a 9 de novembro do ano passado, a França anunciara que o encontro entre os dois Chefes de Estado se limitaria a uma reunião de trabalho... que teve lugar esta quarta-feira.