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Embaixador da Dinamarca. “Pedimos aos refugiados que paguem desde que tenham dinheiro”

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Em declarações à Rádio Renascença, Michael Suhr justifica a nova lei pelo facto de a Dinamarca ser um dos países que recebe mais refugiados. O embaixador deverá ir na próxima semana ao Parlamento dar mais explicações sobre “a lei dinamarquesa”

Depois de o Parlamento dinamarquês ter aprovado, esta terça-feira, uma lei que prevê que as autoridades confisquem os bens dos refugiados assim que eles chegam ao país, o Embaixador do país em Portugal, Michael Suhr, explicou Rádio Renascença que “na nova lei, aprovada por uma vasta maioria, e também pelo Partido Socialista, um dos pontos é que pedimos aos refugiados que paguem desde que tenham dinheiro” .

As declarações surgem a propósito do embaixador dinamarquês em Lisboa se ter oferecido para ir à Assembleia da República “explicar” a controversa lei. Não há data marcada para o efeito, mas prevê-se que essa deslocação aconteça já na próxima semana.

Ainda sobre a nova legislação, Michael Suhr explicou que a lei surge pelo facto de a Dinamarca ser um dos países que recebe mais refugiados, mas o princípio em causa é o mesmo que é aplicado aos “dinamarqueses que pedem prestações sociais”. Caso os migrantes não tenham nenhum dinheiro recebem o apoio, mas se tiverem muito dinheiro terão de pagar, disse. “Obviamente, nós sabemos que a maioria das pessoas vai pedir ajuda. Se puderem contribuir, devem contribuir”, acrescentou.

“Temos muitos apoios na Dinamarca: saúde gratuita, educação. A universidade é gratuita, também para os refugiados. Mas eles não têm de pagar impostos, porque não são cidadãos dinamarqueses. Vamos pedir-lhes que contribuam e será avaliado quanto dinheiro dispõem”, explicou.

O Embaixador da Dinamarca sublinhou que durante décadas o seu país recebeu refugiados judeus, que foram “para a Dinamarca para escapar aos nazis na altura em que mais precisavam”, e também “refugiados portugueses que pediram asilo” ao país. Mas afirmou que “todas as sociedades têm limites” e que é necessário criar medidas para que o acolhimento não seja ilimitado. A estratégia é “perceber quantos mais se pode receber e como”.

Esta quinta-feira, o PS requereu a presença de Michael Suhr em sede de comissão parlamentar, após a Dinamarca ter aprovado a polémica reforma da lei do asilo.