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Internacional

Países da NATO travam cortes na Defesa

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Desembarque em Troia durante o exercício de alta visibilidade, Tridente Juncture, realizado no flanco sul da Aliança em novembro de 2015

José Caria

Relatório da atividade em Aliança Atlântica em 2015 revela que países europeus já não estão a cortar no sector da Defesa e que alguns até voltaram a investir. Com base nas estimativas avançadas, Portugal foi décimo que mais gastou em percentagem do PIB

Carlos Abreu

Jornalista

Os apelos sistemáticos do secretário-geral da NATO terão sido ouvidos. Em 2015, os cortes orçamentais no sector da Defesa entre os estados-membros da Europa e Canadá terão parado, disse esta manhã Jens Stoltenberg na conferência de imprensa de apresentação do relatório anual da Aliança Atlântica, documento em que se estima que 19 dos 28 países que integram a organização não voltaram a reduzir, no ano passado, as dotações para suas forças armadas.

Mas este é apenas um primeiro passo, lembrou Stoltenberg, já que o compromisso político alcançado em 2006 e reiterado na Cimeira de Gales, em setembro de 2014, estabeleceu em 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada Estado-membro, o montante de despesa mínima recomendável no sector da Defesa. Recorde-se que os chefes de Estado e de governo da Aliança presentes nesse encontro acordaram ainda que 20% desse montante deveria ser investido em investigação, desenvolvimento e aquisição de equipamentos relevantes. Mas o alcance destas metas, apesar da ameaça expansionista russa a leste e o fundamentalismo islâmico a sul, ficou desde logo dependente da recuperação da economia.

Ora, no documento apresentado esta quinta-feira em Bruxelas, apenas três países – Estados Unidos, Grã-Bretanha e Polónia – cumpriram o acordo de Gales. Estónia e Grécia gastaram mais de 2% do produto em Defesa (mas não investiram 20% desse montante em equipamento) e cinco – França, Lituânia, Luxemburgo, Noruega e Turquia – investiram mais de 20% em equipamento (mas gastaram menos de 2% do PIB nas forças armadas). Todos os outros ficaram aquém do compromisso reassumido na Cimeira de Gales.

Portugal no top-10

Pela análise dos gráficos incluídos no relatório (não são indicados os valores exatos destas estimativas), Portugal foi em 2015 o décimo membro da Aliança Atlântica, de que é país fundador, que mais gastou com a Defesa em percentagem do PIB – ainda assim não chegou a 1,5% de toda a riqueza gerada no ano passado. Já em matéria de investimento em novos equipamentos surge no final da tabela (23ª posição entre 27 países, já que a Islândia integra a NATO mas não tem forças armadas), claramente abaixo dos 10%.

Os Estados Unidos, apesar de em 2015 terem cortado na Defesa em quase 3% do PIB devido à retirada do Afeganistão, continuam a ser o aliado que mais gasta com as forças armadas, tendo contribuído no ano passado com 72,2% da despesa total da NATO. Os restantes 27,8% são repartidos pela Grã-Bretanha (6,6%), França (4,9%), Alemanha (4,4%), Itália (2%), Canadá (1,7%) e Espanha (1,2%), tendo os restantes Estados-membros investido em conjunto com 6,9%.

O relatório alerta para a necessidade de distribuir este esforço de forma mais equitativa e de, travados os cortes, aumentar nos próximos anos as dotações para a Defesa em termos reais, à medida que a economia o vá permitindo. “A NATO não conseguirá fazer mais com menos, indefinidamente. Perante os desafios colocados à segurança euroatlântica, é fundamental que os Estados-membros continuem a investir na Defesa”, lê-se no relatório.