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Gabinete de Matteo Renzi responsabilizado por decisão de cobrir estátuas de nus

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ANGELO CARCONI/EPA

Funcionária do gabinete do primeiro-ministro italiano está a ser responsabilizada pela decisão controversa de cobrir as estátuas de nus do museu Capitolini, em Roma, durante a visita oficial do Presidente iraniano. “Isto diz muito mais sobre o provincialismo que ainda existe em Itália do que a acusação de que nos ajoelhamos perante o Islão”, declarou jornalista italiano

A responsabilidade da decisão de cobrir as estátuas de nus no Museu Capitolini, em Roma, durante a visita do Presidente iraniano, Hassan Rouhani, está a recair sobre uma mulher: Ilva Sapore, responsável pelas cerimónias oficiais no gabinete do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. É ela que está a ser acusada de ter tomado essa decisão controversa.

O ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini, já se tentou distanciar do sucedido, declarando que nem ele nem Matteo Renzi foram consultados para esta decisão, que considerou “incompreensível.” No entanto, funcionários do museu garantiram que o gabinete de Renzi foi responsável pela decisão e o primeiro-ministro italiano tem estado debaixo de fogo pelos partidos da oposição italiana. Também nas redes sociais o episódio não deixou de ser ridicularizado.

O histórico da mulher de 64 anos está a ser escrutinado pelos meios de comunicação italianos, que declaram que a sua carreira pode ficar comprometida por este e outros episódios. Sapora foi também responsável por vários outros episódios, relatados pelos media italianos - entre eles, o facto de não saber falar fluentemente em inglês, apesar de ter de lidar com várias delegações internacionais, ou de se ter esquecido de incluir um general do Kuwait num jantar para um ministro do Kuwait no ano passado, colocando em risco um acordo na área da Defesa. Para além disso, a funcionária tem sido criticada no âmbito de um incidente que envolve a entrega de relógios Rolex a diplomatas, em detrimento da lei italiana que os impede de receber este tipo de presentes caros.

“Estou convencido que a senhora é culpada, ainda que as suas intenções tenham sido boas”, afirmou o jornalista italiano Gianni Riotta, ex-diretor do “Il Sole 24 Ore”. “Isto diz muito mais sobre o provincialismo que ainda existe em Itália do que a acusação de que nos ajoelhamos perante o Islão.”

Itália foi o país escolhido pelo presidente iraniano para iniciar a sua primeira visita oficial à Europa, num momento marcado pelo levantamento das sanções internacionais ao Irão. Esta quarta-feira Hassan Rouhani viajou para França.