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A lenda de “El Chapo”, o homem que agora é uma marca registada

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EDGARD GARRIDO / REUTERS

Um novo capítulo na louca vida do narcotraficante mais conhecido do mundo. A sua mulher e filha podem agora vender casacos, joias, relógios e até decorações de Natal com a alcunha que celebrizou o mexicano no mundo do crime

A história de Joaquín “El Chapo” Guzmán já terá ingredientes que cheguem para deixar inveja a qualquer ficcionista de Hollywood – a mirabolante fuga da prisão, a paixão secreta por uma estrela de novelas mexicana, ou o encontro com Sean Penn que levou à sua última captura, enrtre tantis outras histórias. Mas o mito em torno do maior barão da droga desde Pablo Escobar ganha agora outros contornos.

Nome temido por uns e amado por outros, “El Chapo”v tornou-se esta semana uma marca registada a nível mundial, que dá à filha e esposa do traficante o direito de inserirem a alcunha em vários produtos comerciais. O pedido, apresentado junto do Instituto de Propriedade Industrial mexicano, estende-se até 2020.

O caso foi aceite, já que no México “El Chapo” também designa “pessoas de baixa estatura” – Guzmán mede 1,64 metros –, um argumento suficiente para convencer os juízes mexicanos de que o pedido não se relacionava diretamente com o líder do cartel Sinaloa.

Vendem-se malas “El Chapo”

Uma das patentes aprovadas permite a venda de joias e metais preciosos com a marca “El Chapo”, bem como artigos de relojoaria e cronómetros. É também possível a comercialização de malas de viagens, chapéus de chuva e alguns artigos de vestuário.

As patentes entram ainda no campo do insólito se considerarmos que o narcotraficante pode também ver a sua cara e nome inseridos em brinquedos, jogos de tabuleiro, enfeites de Natal, chicotes e artigos de ginástica.

Rejeitados ficaram os pedidos de patentear outras alcunhas do traficante: “El Chapo Guzmán”, “Joaquín Archivaldo Guzmán Loera”, “Don Chapo” ou “El Chapito”.

Já parte da cultura popular do país, as camisolas com o rosto do barão da droga são um dos produtos mais procurados na Cidade do México

Já parte da cultura popular do país, as camisolas com o rosto do barão da droga são um dos produtos mais procurados na Cidade do México

MARIO GUZMAN / EPA

A vida que nem Hollywood inventaria

Se a história até aqui ainda lhe parece insólita, talvez o leitor não esteja familiarizado com os feitos e proezas de “El Chapo”, passados numa vida que adquire os contornos de um filme.

Nascido no México e fundador de um verdadeiro império da droga na América, a primeira captura de Guzmán ocorre em 1993, na Guatemala. Aí faz da cela o seu centro de operações, onde gere tudo como dantes. Dezoito anos depois, cansado da vida na prisão decide subornar os guardas e escapa dentro de um carrinho de roupa suja, uma cena digna da série “Prison Break ou da prisão em “The Grand Budapest Hotel”.

Recapturado em 2014, volta a fugir um ano depois da prisão mexicana de Altiplano, através de – imagine-se – um túnel de 1500 metros (escondido sob o polibã da sua cela privada), que percorreu para voltar à liberdade. O nível de arte ou engenho usados envolveu obviamente subornos a vários guardas do estabelecimento (a cela era vigiada ininterruptamente através de imagens de televisão) e a deslocação de engenheiros alemães para desenhar e escavar o túnel.

A fotografia do encontro entre Joaquín “El Chapo” Guzmán e o ator Sean Penn, que mais tarde levaria à captura do traficante

A fotografia do encontro entre Joaquín “El Chapo” Guzmán e o ator Sean Penn, que mais tarde levaria à captura do traficante

reuters

Em fuga, o homens mais procurado no país e arredores instala-se numa fazenda mexicana, onde ouve planos para fazerem de si a estrela de um filme biográfico. Guzmán contacta então a atriz mexicana Kate del Castillo, uma das suas muitas “paixões”, que por sua vez arranja um encontro entre o traficante e o ator Sean Penn, ao qual acaba por conceder uma entrevista.

O barão da droga foi recapturado a 9 de janeiro e desde então encontra-se na mesma prisão de onde escapou, mas sob medidas de segurança ainda mais reforçadas, que passam por exemplo pela troca constante de celas. Com ele, tem um exemplar de “D. Quixote de la Mancha” e um cão, que prova a comida antes de todas as refeições.

Depois de 182 dias em fuga, a vida parece-lhe agora mais calma na prisão. Mas a “lei de Guzmán” assim o dita: qualquer que seja o próximo capítulo da sua vida do traficante, será tudo menos pacífico.