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Primeiro-ministro recebe 681 milhões de dólares. Não foi corrupção, foi apenas uma prenda...

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Najib Razak, primeiro-ministro da Malásia

MANAN VATSYAYANA/ AFP/ Getty Images

Esta curiosa explicação, que corresponde a um hábito frequente da Arábia Saudita, tem uma certa plausibilidade

Luís M. Faria

Jornalista

Afinal, tratou-se de uma prenda. Foi com esta singela explicação que o procurador-geral da Malásia acaba de declarar inocente do crime de corrupção o primeiro-ministro Najib Razak.

Estava em causa o aparecimento, em circunstâncias misteriosas, de 681 milhões de dólares numa conta pessoal de Razak, entre março e abril de 2013. Suspeitava-se que o dinheiro tivesse origem num fundo público de investimentos chamado 1MDB, a cujo conselho de consultivo o primeiro-ministro preside. As dificuldades que o fundo e o país atravessam devido à baixa do preço do petróleo aumentavam a indignação popular. Mas agora surgiu uma explicação 'inocente': o dinheiro foi oferecido pela Arábia Saudita.

Porquê? Para ajudar Razak a ganhar as eleições desse ano. Não é uma versão implausível. Os sauditas são useiros na distribuição de enormes quantias de dinheiro por países onde grupos aliados dos seus inimigos, em especial a Irmandade Muçulmana, ameaçam tomar o poder. Esse perigo estava longe de ser imediato na Malásia, e consta que membros da família real saudita têm interesses em negócios no país. Mas o procurador-geral (nomeado por Razak) entendeu não haver implicações criminais no caso.

61 milhões desapareceram

O primeiro-ministro malaio é notório pelo seu estilo de vida faustoso, e os rumores sobre corrupção circulam há muito - incluindo alguns que envolvem um banqueiro próximo do seu afilhado e um financeiro dos Emiratos Árabes Unidos. O caso agora provisoriamente encerrado (a comissão anticorrupção do país diz que vai recorrer), foi incitado por um seu antecessor, Mahathir Mohamad, conhecido pela tendência a eliminar qualquer ex-protegido seu que lhe faça sombra ou não siga as suas instruções.

Entretanto, parece haver informação credível de que o controverso pagamento foi mesmo autorizado pelo próprio rei da Arábia Saudita. Outro aspeto misterioso do caso é que, tendo Razak acabado por devolver cerca de 620 milhões, não se sabe o que aconteceu aos restantes 61.