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Piada com kalashnikov deixa presidente checo debaixo de fogo

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Há muito que os comentários manifestamente anti-islâmicos do Presidente checo geram polémica. Agora, sugeriu a sorrir que todos aqueles pensam de forma diferente, como por exemplo o primeiro-ministro, possam ser corridos a tiro

Reuters

Classe política checa ‘dispara’ sobre o presidente da República Checa depois deste ter sugerido a um cidadão que recorresse a uma espingarda kalashnikov para se ver livre do primeiro-ministro

Quantas maneiras tem o povo à sua disposição para se ver livre de um político? Duas. Por via do voto, ou recorrendo a uma kalashnikov. À lei da bala. A sugestão, deixada durante um debate pelo presidente da República Checa deixou os seus adversários indignados. Mas vamos aos detalhes.

O presidente Milos Zeman, sobejamente conhecido pelas suas posições politicamente incorretas sobre a crise dos refugiados, colide nesta matéria com a visão bem mais moderada do primeiro-ministro social-democrata e adversário, Bohuslav Sobotka.

Ora, durante um debate na cidade de Tisnov (200 quilómetros a sueste da capital, Praga), alguém da audiência perguntou ao chefe de Estado checo o que se poderia fazer afastar o líder do Executivo. E Milos Zeman respondeu assim: “Se pretende ver-se livre de um político, incluindo o presidente, só há uma via democrática, isto é, através de eleições, que terão lugar dentro de um ano”.

“E depois há um caminho não democrático chamado kalashnikov”, acrescentou a sorrir, informa o jornalista da Reuters que assistiu ao debate. Quem não achou graça nenhuma foram os partidos da oposição e, o próprio chefe do Governo checo, claro.

“Somos, muito provavelmente, o único país do mundo civilizado onde o presidente sugere publicamente que matem o primeiro-ministro”, disse Bohuslav Sobotka à agência de notícias checa CTK.

Numa declaração conjunta, os speakers das duas câmaras do Parlamento, Milan Stech e Jan Hamacek, classificaram as declarações do chefe de Estado como “absolutamente inaceitáveis e inapropriadas”. O presidente do Partido Comunista também juntou a sua voz ao coro de protestos ao classificar as palavras do presidente como “nojentas”.

Nos últimos meses, Milos Zeman causou várias polémicas fazendo comentários manifestamente anti-islâmicos, sobretudo quando declarou que o Islão é uma religião de assassinos.

A República Checa é, juntamente com a Eslováquia, Polónia e Hungria, um dos quatro países da comunidade mais críticos da política migratória da União Europeia (UE), liderada pela Alemanha.

À República Checa chegaram apenas dezenas de refugiados muçulmanos desde que começou a onda migratória do inverno enquanto às vizinhas Alemanha e Áustria têm chegado centenas de milhares de pessoas.