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O mistério (trágico?) que a polícia inglesa não consegue resolver

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Imagem do homem que terá morrido em dezembro numa colina dos arredores de Manchester divulgada pela polícia

DR

Autoridades britânicas têm um grande mistério em mãos. E já pediram ajuda. Caso se confirme o cenário tido como mais plausível, trata-se da história de um homem que morreu no local onde se salvou milagrosamente décadas antes

12 de dezembro de 2015. Numa colina no meio do nada situada nos arredores de Manchester, Inglaterra, um homem é encontrado sem vida por um ciclista. Usa uns sapatos confortáveis, uma camisola branca de gola alta e um casaco azul. Nos bolsos tinha 130 libras em notas de dez e três bilhetes de comboio. Um deles de volta a Londres. Nem um documento que revele a sua identidade. Nenhum telemóvel. Mistério absoluto.

Terá entre 65 e 75 anos, diz agora a polícia, que desde então, há precisamente 46 dias, continua sem saber o que o homem fazia ali, porque terá morrido, de quem se trata. Até fizeram testes de ADN e nada. Num beco sem saída, as autoridades decidiram relevar o que já sabiam e pedir ajuda a quem possa identificar o idoso.

Os detetives pensam tratar-se de um dos sobreviventes de um trágico acidente de aviação ocorrido no longínquo ano de 1949 na região de Saddleworth Moor. Foi aí que, regista a Wikipedia, em 19 de agosto um Dakota (DC-3) da British European Airways (desparecida em 1974) caiu quando realizava a ligação doméstica entre Belfast, capital da Irlanda do Norte, e Manchester, em Inglaterra.

Da queda do aparelho resultaram 24 vítimas mortais, incluindo três bebés e outros tantos membros da tripulação, mas oito pessoas, entre as quais duas crianças, sobreviveram ao embate no solo, a escassos 24 quilómetros da pista do aeroporto de Manchester. Stephen Evans, então com cinco anos de idade, e Michael Prestwich, de dois, foram retirados dos escombros pelos trabalhadores de uma fábrica de papel nas proximidades, que formaram cordão humano para socorrer as vítimas.

Ora, de acordo com informações recolhidas pelos detetives junto da família e da igreja, Michael Prestwich terá falecido aos 12 anos num acidente de comboio quando regressava das aulas. Por exclusão de partes, os investigadores pensam que o idoso encontrado sem vida será, muito provavelmente, Stephen Evans, que teria regressado ao locado do acidente, 66 anos depois, em peregrinação.

Mas as autoridades também não excluem a possibilidade de se tratar de um familiar de alguma das vítimas mortais, ainda que não tenham uma única prova que aponte nesse sentido. Já passaram a pente fino a lista dos passageiros e toda a documentação do trágico acidente e até garantem que deram especial atenção aos oito sobreviventes, mas tudo aponta para que se trate mesmo de Stephen Evans.

Os investigadores pensam que a sua peregrinação terá começado na manhã de sexta-feira, 11 de dezembro, em Ealing, arredores de Londres, e até já divulgaram imagens captadas pelo sistema de videovigilância da estação onde apanhou o comboio que o haveria de levar até Manchester. Aí terá chegado por volta do meio-dia e tomado outro comboio com destino a Greenfield, já na região de Saddleworth Moor, a mais de 300 quilómteros do ponto de partida, onde visitou um bar pelas 14h00 e perguntou como poderia chegar ao cume de uma colina próxima, o Indian Head, a 457 metros de altitude.

Apesar de ter sido desaconselhado a fazê-lo pelo dono do bar, porque a chuva intensa não iria ajudar e o regresso já seria feito de noite, testemunhas deram conta às autoridades de que um homem estaria a dirigir-se nesse sentido pelas 16h30. E nada mais a polícia conseguiu saber - incluindo a causa da morte.