Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

França. Ministra da Justiça demite-se contra nova política da nacionalidade

  • 333

JACKY NAEGELEN/REUTERS

Christiane Taubira sai por discordar da retirada da cidadania aos franceses com dupla nacionalidade que sejam acusados de terrorismo

A ministra francesa da Justiça apresentou esta quarta-feira a sua demissão por discordar de algumas medidas do Governo no combate ao terrorismo.

Uma das questões que pesou na decisão de Christiane Taubira foi a retirada da cidadania aos cidadãos com dupla nacionalidade acusados de terrorismo, o que implicará a alteração da Constituição.

A demissão acontece precisamente no dia em que arranca o debate sobre as alterações ao quadro constitucional. “Às vezes resistir é ficar, outras vezes resistir é sair”, escreveu Taubira no Twitter, sublinhando que deixa o cargo porque acredita que é preciso ser “fiel” aos seus próprios princípios, à ética e ao Direito.


A ex-governante manifesta-se ainda orgulhosa do seu trabalho, afirmando que a “Justiça tem vindo a ganhar força e vitalidade.”

Será Jean-Jacques Urvoas – deputado socialista e presidente da comissão de leis da Assembleia Nacional – o sucessor da ex-ministra.

“Jean-Jacques Urvoas – ao lado do primeiro-ministro – terá a cargo a revisão constitucional e a preparação do projeto de lei que reforçará a luta contra o crime organizado e a reforma do processo penal”, anunciou entretanto o Eliseu em comunicado.

A Frente Nacional (extrema direita) e Os Republicanos (centro-direita, partido do antigo Presidente Nicolas Sarkozy) já aplaudiram a saída da ministra. “Demissão de Taubira. Enfim, uma boa notícia para França”, escreveu no Twitter Florian Philippot, vice-presidente do partido de Marine le Pen.

“Esperemos que para o nosso país a demissão de Taubira corresponda ao fim da política laxista deste Governo”, afirmou por sua vez o deputado d'Os Republicanos Christian Estrosi, na mesma rede social.

Christiane Taubira – que estava no cargo desde maio de 2012 – foi uma das governantes mais criticadas e alvo de constantes ameaças e comentários racistas, depois de em 2013 ter defendido a lei do casamento gay. A ministra, nascida na Guiana Francesa, passou a ser desde então acompanhada por mais seguranças.

No dia 16 de novembro, três dias após os atentados de Paris - que causaram 130 mortos e mais de 350 feridos - François Hollande afirmou num discurso perante as duas câmaras do Parlamento, no Palácio de Versalhes, que a alteração constitucional é vital para permitir o prolongamneto do estado de emergência e o reforço do combate ao terrorismo

O Presidente francês defendeu também que é preciso impedir o regresso de cidadãos com dupla nacionalidade e ligações ao terrorismo, assim como agravar as penas para condenações por atos terroristas.