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EUA. Hillary Clinton enfrenta o “furacão” Sanders

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TANNEN MAURY / EPA

Na última hipótese de conquistar votos no estado do Iowa, a corrida democrata à Casa Branca sobe de tom. Bernie Sanders cola Hillary Clinton aos interesses de Wall Street e à Guerra do Iraque. A candidata diz ser a “lutadora” que continuará o legado de Obama

Num fórum em Des Moines, no estado do Iowa, Hillary Clinton e Bernie Sanders queimaram esta segunda-feira os últimos cartuchos antes da votação da próxima semana, onde cada voto conta para decidir o candidato democrata à Casa Branca.

A discussão foi acesa, com os dois principais candidatos (junto a um esquecido Martin O’Malley, em modo “piloto automático”) a acentuarem as suas diferenças na última tentativa de conquistar o Iowa, ponto de partida crucial mas primárias do mPartido Democrata.

Pela primeira vez, Sanders revelou-se um “furacão” da retórica presidencial e não se coibiu nos ataques a Clinton, colando-a (mais uma vez) aos interesses de Wall Street e dos grandes grupos económicos que a apoiam. Relembrou também o voto da candidata a favor da Guerra do Iraque. “A experiência é importante mas o bom senso é crucial”, frisou.

Do outro lado, encontrou o pragmatismo de Hillary, mais preparada do que nunca para responder às acusações. Diante uma plateia indecisa – os últimos números mostram um empate técnico no Iowa – Clinton assumiu-se como “uma lutadora” e a única candidata “com provas dadas durante décadas, na linha da frente da mudança progressiva”. “Durante todos estes anos, nunca desisti. Atiram-me todo o tipo de acusações e ainda estou de pé”, argumentou.

Para acalmar a tempestade de factos lançada pelo rival, a antigas primeira-dama puxou dos seus galões na administração Obama, argumentando que apenas ela poderá salvaguardar o legado do atual Presidente. “Acredito que sou a melhor pessoa para ganhar a nomeação democrata e ser a próxima Presidente do país”, disse confiante numa vitória final.

Focados nas suas campanhas, Hillary começou por admitir que o seu voto a favor da Guerra do Iraque foi “um erro” e considerou o uso de força militar como o “último recurso” para o país. Por sua vez, Sanders alertou para a crescente disparidade económica nos Estados Unidos e admitiu aumentar os impostos caso chegue à Casa Branca. Apesar desse aumento, o candidato garantiu que, no geral, as famílias ficarão melhor com o seu plano de saúde gratuita e universal, uma expansão do “Obamacare” em curso.

Justin Sullivan / EPA

A teoria de Sanders

A corrida para a nomeação democrata está renhida, com Hillary Clinton a encontrar uma oposição inesperada em Bernie Sanders. Os números do senador do estado de Vermont subiram até ao empate técnico (fazendo a média de todas as sondagens) e ameaçam agora destronar a quase certa vitória que Clinton teria há uns meses. Apesar de nada estar garantido, tudo indica que Sanders saia vitorioso no Iowa se conseguir atrair às mesas de voto as enérgicas multidões que o ouvem e apoiam.

A campanha do democrata, focada nos desequilíbrios sociais e económicos no país, tem ganho uma tração impensável há apenas alguns meses. “Estou muito contente com a enorme subida que temos tido”, avakua, orgulhoso, ciente de que as suas palavras encontram apoio numa geração jovem, afogada em créditos para pagar os estudos e que há não pouco tempo criou o movimento “Occupy Wall Street”.

Para Hillary, todo este cenário ameaça ser uma repetição das presidenciais de 2008, onde o seu favoritismo foi destronado por uma súbita onda de apoio pela “revolução” prometida por Barack Obama. Oito anos volvidos, nestas eleições o caso repete-se com Sanders, o autodenominado socialista que tem mobilizado multidões em busca de uma “revolução política”.

Obama reunir-se-á com Bernie Sanders esta quinta-feira, numa reunião “sem nenhuma agenda definida”, diz a Casa Branca. Esta semana, o Presidente deu uma entrevista em que, apesar de não apoiar declaradamente nenhum dos dois candidatos mostrou favoritismo pela sua secretária de Estado (atualmente com funções suspensas), ao dizer que “[Hillary] começou com o fardo de ser vista como a favorita” a ganhar a nomeação.

A votação no estado do Iowa estaá agendada para a próxima segunda-feira, 1 de fevereiro, o ponto de partida na decisão democrata. Até final de fevereiro haverá mais três votações, nos estados de New Hampshire (dia 9), do Nevada (20) e da Carolina do Sul (23).