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Ammon Bundy, o cowboy que lidera uma milícia e é notícia na América

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Justin Sullivan/GETTY

Chama-se Ammon Bundy, tem 41 anos, é gestor de frota automóvel e tem o pai como modelo. Ambos lutam contra o Governo. E à moda dos westerns: esta história envolve cowboys, armas e disputas territoriais, episódios que há muito marcam a história do oeste dos EUA

Os factos comprovam. Tal pai, tal filho. Ammon Bundy, o líder da milícia armada que ocupa desde o passado dia 2 de janeiro a reserva natural de Malheur, no estado norte-americano do Oregon e que foi detido esta terça-feira, não está a ter uma ação inédita.

Na verdade, este cowboy - que usa o tradicional chapéu e botas - segue os passos do pai, Cliven Bundy, que há dois anos também esteve envolvido em protestos com as autoridades do estado de Nevada.

Os motivos são mais ou menos os mesmos. Ambos alegam que os terrenos federais não são todos propriedade do Estado, devendo ser por isso utilizados livremente para a agro-pecuária.

Se em 2014 Cliven Bundy se recusou a retirar centenas de cabeças de gado das terras federais - o que levou as autoridades a apreender os animais, motivando protestos -, agora Ammon Bundy resolveu liderar o protesto na reserva natural de Malheur, em solidariedade com Dwight Hammond e Steven Hammond, dois agricultores (pai e filho - de 74 e 56 anos) detidos por incendiarem terrenos públicos, entre 2001 e 2006.

Segundo o FBI, Ammon Bundy é acusado de “conspiração para impedir o desempenho dos deveres de funcionários dos Estados Unidos com o uso da força, intimidação e ameaças”.

As origens da família Bundy são remotas. Datam de 1800. O clã desde sempre esteve ligado ao sector primário, segundo o “New York Times”. Nascido em 1975, Ammon Edward Bundy é um dos 14 filhos de Cliven e Carol Bundy. Hoje, aos 41 anos, Ammon Edward Bundy é casado e tem seis filhos. É gestor de frota automóvel e tem o pai como modelo.

Sem histórico de crimes

Militante republicano, Ammon Bundy partilha com o patriarca a paixão pelas armas e a luta pela utilização dos terrenos públicos. Com licença de caça, o líder desta milícia armada não conta com antecedentes criminais - excetuando multas de trânsito.

Ammon Bundy vive na cidade de Phoenix, no estado do Arizona. Percorreu vários quilómetros para se reunir no final do ano com mais apoiantes da causa de Dwight Hammond e Steven Hammond, em Malheur.

Foi nessa altura que apelou à ação de mais manifestantes na sua página do Facebook: “Está na hora. Chamados à ação. Venham todos preparados e dispostos a ficar de pé”, escreveu o líder da milícia armada do Oregon na rede social.

Dispostos a morrer pela causa

Dispostos a matar e a serem mortos pela causa que defendem, estes manifestantes protestam contra o Washington e a gestão dos terrenos públicos. Andam armados e usam peças de cowboy e camuflados.

Esta terça-feira, um indivíduo foi morto na sequência de disparos com a polícia. A vítima mortal é LaVoy Finicum, porta-voz dos manifestantes, que já tinha admitido não ter receio de morrer, em entrevista à NBC. “Há coisas mais importantes do que a vida, a liberdade é uma delas.”

Considerado por alguns um “terrorista”, Ammon Bundy garante que a sua milícia não coloca ninguém em perigo e só está a lutar por aquilo que acredita: que não cabe ao governo federal gerir os terrenos públicos.

Outro dos manifestantes que se junta a Ammon nesta luta é um dos seus irmãos: Ryan Bundy, um proprietário de uma empresa de construção civil que vive na cidade de Cedar, no estado de Utah.

O pai, Cliven Bundy, manifestou-se orgulhoso pela ação dos filhos e dos outros manifestantes. “Tenho alguns filhos e outras pessoas a tentar proteger os nosso direitos e liberdades, e entretanto um deles morreu. Só posso dizer que foi sacrificado por um bom propósito”, declarou Cliven Bundy ao “Los Angeles Times”. Ou não fosse ele o pioneiro do clã Bundy nos protestos anti-governamentais. Ammon Bundy é só o mais recente protagonista da luta pelos terrenos públicos que há muito marca a história da região oeste dos Estados Unidos.