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Internacional

Presidente chinês foi a Teerão assinar acordos no valor de quase €555 mil milhões

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Foi igualmente anunciado um reforço das “relações estratégicas” entre os dois países, num documento para 25 anos

Luís M. Faria

Jornalista

O Irão e a China acabam de estabelecer uma série de 17 acordos no valor de 600 mil milhões de dólares [554,69 mil milhões de euros]. Além disso, vão aumentar a sua colaboração estratégica, numa tentativa de contrabalançar a influência dos Estados Unidos e dos seus aliados no Médio Oriente. O anúncio foi feito durante a visita do Presidente Xi Jinping a Teerão, a primeira do líder do grupo de seis países que negociaram com o Irão o desmantelamento de boa parte do seu programa nuclear.

Foi apenas há uma semana que as sanções ocidentais contra o Irão foram levantadas, após a agência nuclear da ONU confirmar que esse país tinha cumprido as suas obrigações ao abrigo do acordo assinado o ano passado. Embora a China não participasse nas sanções e se tivesse tornado o maior parceiro comercial do Irão nos últimos seis anos, o regresso deste à comunidade internacional facilitou por certo o anúncio agora feito. “O Irão e a China concordaram em aumentar o comércio para 600 mil milhões ao longo dos próximos dez anos”, disse o Presidente Rouhani, acrescentando que os dois países acordaram igualmente em “formar relações estratégicas tal como refletidas num documento abrangente para 25 anos”.

Caso restassem dúvidas sobre o significado disso, o líder supremo iraniano Ali Khamenei desfê-las com as suas próprias declarações: “O Irão nunca confiou no Ocidente. É por isso que Teerão procura cooperação com países mais independentes (…) O Irão é o país mais fiável da região para energia, pois as suas políticas energéticas nunca serão afetadas por estrangeiros”. Em 2013, o Irão exportou 19 mil milhões de dólares [17,56 mil milhões de euros] de petróleo para a China. e importou 17 mil milhões de dólares [15,71 mil milhões de euros] em bens e serviços. Esses volumes deverão agora subir.

A presença chinesa é visível nas dezenas de milhares de carros baratos que circulam em Teerão, bem como em obras como um túnel urbano de cinco quilómetros e meio, um dos maiores do mundo, e numa via rápida elevada. A construção de infraestruturas é há muito uma parte essencial da chamada estratégia da Rota da Seda, mediante a qual a China estende a sua influência além-fronteiras e se afirma como uma potência internacional de topo.

Outro interesse comum à China e ao Irão é o ataque a determinados grupos islâmicos que designam como terroristas. No caso da China, a preocupação é o separatismo na sua zona ocidental. Para o Irão, um país xiita, trata-se de combater grupos de inspiração sunita como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.