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Internacional

Filipinas. Imperador do Japão presta homenagem a vítimas da II Guerra Mundial

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Akihito chegou esta terça-feira às Filipinas numa visita histórica que começa com a evocação das vítimas de uma das batalhas mais sangrentas do segundo conflito mundial. Uma mensagem pacifista que contrasta com o discurso nacionalista do governo japonês

As comemorações do 60.º aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Japão e as Filipinas são o pretexto oficial para a visita do imperador do Japão ao arquipélago filipino, ocupado durante três anos pelas tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial. Mas é a homenagem às vítimas, militares e civis, prestada pelo imperador Akihito e pela imperatriz Michiko que sobressai desta visita, a primeira feita às Filipinas por um imperador reinante.

Sob o pano de fundo, estão as indemnizações pedidas pelas chamadas “mulheres de conforto” - o eufemismo japonês que designa as filipinas obrigadas a prostituírem-se durante a ocupação japonesa. Mas o Governo filipino parece estar mais interessado na ajuda militar e política para contrariar os apetites de Pequim nos mares da China meridional.

“Numerosos filipinos, americanos e japoneses perderam a vida nas Filipinas durante a guerra”, declarou Akihito antes de partir para Manila. Akihito referiu-se especificamente à batalha para a libertação de Manila em 1945, onde terão morrido pelo menos 100 mil pessoas. “Desejamos fazer a visita tendo isso sempre no espírito”, acrescentou. Durante os cincos dias da visita, o casal imperial é recebido pelo presidente Benigno Aquino e visitará monumentos dedicados aos mortos japoneses e não japoneses.

Uma atitude que contrasta com a do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe que quer rever a Constituição pacifista imposta pelos Estados Unidos a seguir à guerra no sentido de permitir que o Japão possa ser mais ativo na cena internacional, nomeadamente em matéria de autodefesa. É a mesma constituição que limita o cargo de imperador a “símbolo de Estado”

Indemnizações fora da agenda

Mas se o Japão é hoje o maior investidor estrangeiro nas Filipinas e tornou-se um dos grande aliados de Manila contra as pretensões expansionistas de Pequim nos mares da China Meridional, ainda subsistem resquícios da ocupação japonesa.

Tal como na Coreia do Sul, mulheres que foram submetidas a escravatura sexual durante a ocupação japonesa reclamam um pedido de desculpas “oficial”e consideram que as reparações de guerra pagas pelos japoneses foram insuficientes. Em dezembro, o Japão pediu oficialmente desculpa e concordou em pagar uma indemnização de mil milhões de ienes (cerca de 7,8 milhões de euros) às mulheres sul-coreanas.

Mas, segundo um porta-voz dos ministério dos Negócios Estrangeiros filipino, citado pela AFP, não existem conversações sobre um acordo semelhante ao da Coreia do Sul nem o assunto vai ser abordado durante a visita de Akihito. Outro responsável filipino, lembrou que o imperador não tem poderes de chefe de Estado, o que afasta ainda mais a hipótese de tais conversações.

Contudo, segundo a imprensa da região, os dois países continuam a aprofundar a cooperação política e militar. Manila não esconde que gostaria de receber equipamento militar japonês, à semelhança do que acontece com o auxilio norte-americano, que permite a entrega à marinha filipina de navios abatidos ao serviço ou mesmo estacionar tropas no arquipélago, por exemplo.