Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Espanha: (mais um) caso de corrupção no PP

  • 333

Uma operação anticorrupção em Valência deteve 24 dirigentes e ex-dirigentes da região, todos ligados ao Partido Popular. Numa altura de indecisão na política espanhola, este é mais um dos muitos casos de corrupção no partido

Depois de uma vitória sem maioria absoluta nas últimas legislativas, o Partido Popular espanhol vê-se envolvido em mais um dos vários escândalos de corrupção que ensombram a formação.

Numa grande operação anticorrupção, foram esta terça-feira detidas 24 pessoas por suspeitas de corrupção na administração provincial de Valência, gerida pelo PP. Os detidos são dirigentes e ex-dirigentes da província espanhola, bem como ex-presidentes da câmara, chefes de gabinete e responsáveis do PP da região.

Entre os detidos encontra-se o ex-presidente da administração provincial de Valência Alfonso Rus. Rus esteve em foco depois de terem sido gravadas conversas suas onde contava dinheiro, alegadamente obtido em financiamentos ilegais. O caso foi denunciado em 2004 pelo partido Esquerra Unida (EU), junto da Procuradoria Anticorrupção, mas só agora se apuraram responsabilidades.

A "Operação Taula" está centrada na cobrança de comissões a empresas que negociam com câmaras municipais e com a província de Valência. Segundo o jornal espanhol "El País", foi também descoberto, no decorrer da investigação, um possível financiamento ilegal do partido na região. Estão também em causa os crimes de prevaricação, tráfico de influências, suborno e branqueamento de capitais.

A corrupção política no seio do PP não é inédita. As suspeitas começaram em 2009 com o caso Gurtel, uma operação policial que desmantelou uma rede de corrupção e espionagem política associada aos populares, com um grande foco na região de Madrid. Com o governo então nas mãos dos socialistas do PSOE, o partido procurou defender-se das acusações alegando "perseguição governamental".

Em 2013, foi a vez do líder do partido e chefe de Governo Mariano Rajoy ser indiciado por corrupção e apropriação indevida de fundos, acusações que obrigaram Rajoy a pedir desculpa no Senado espanhol.

A voz dos Ciudadanos

O escândalo surge na altura em que o PP e o Ciudadanos, este de centro-direita, continuam à procura de uma fórmula que garanta a governabilidade e o início da legislatura. Sem deputados suficientes para formarem Governo por si, a solução pode passar por um acordo entre o PP e os socialistas do PSOE para a formação de um Executivo de minoria, apoiado pelo Ciudadanos, de centro-direita. Mesmo que não faça parte da solução, o Ciudadanos compromete-se a não fazer parte do problema. O que importa é impedir um eventual acordo entre o PSOE e o Podemos, movimento de esquerda.

Com um diálogo aberto entre partidos sobre o caminho a seguir, o líder do Ciudadanos, Albert Rivera,defende a necessidade de "reformas profundas" em Espanha. "Para desencadear as mudanças que Espanha precisa, há que ter Governo. Tentaremos esse consenso com o PSOE e o PP", diz Rivera. Um entendimento que encontra voz no seio do partido. "Estamos mais interessados em estabelecer acordos para garantir as reformas necessárias do que na duração da legislatura", acrescenta o vice-secretário geral do Ciudadanos, José Manuel Villegas.