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Muçulmanas que vivem no Reino Unido ‘guerreiam’ Cameron no twitter

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Cameron quer investir 26 milhões de euros em aulas de inglês para migrantes muçulmanos. O problema é que foi mal entendido pelas mulheres islâmicas que vivem no Reino Unido. Conheça a história da hastag #traditionallysubmissive

Na última semana, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, transformou-se numa espécie de ‘bobo’ do twitter das mulheres muçulmanas que vivem no Reino Unido. Ofendidas e zangadas, muitas muçulmanas reagiram com uma onda de twitters, às palavras usadas por Cameron para anunciar uma medida que visa a integração de migrantes.

A ideia até poderia ser boa, mas a forma foi infeliz porque ofendeu as muçulmanas que vivem e trabalham no Reino Unido. Tudo começou na passada segunda-feira, 25 de janeiro, quando Cameron anunciou que iria investir 26 milhões de euros em cursos de língua inglesa para promover a integração de 190 mil muçulmanas que vivem no país e, alegadamente, dominam mal [ou não dominam de todo] a língua inglesa.

Comunidade ofendida

Cameron foi pouco feliz nas palavras que escolheu, quando aliou o potencial perigo de radicalização dos jovens que professam o islão, à “tradicional submissão das mulheres muçulmanas”. Acontece que há muçulmanas que residem há décadas no Reino Unido, que se licenciaram em universidades daquele país, que falam bem inglês... e que se ofenderam. Reagiram no twitter, bombardeando Cameron com a hastag #traditionallysubmissive [tradicionalmente submissas].

O jornal britânico “The Independent” já dedicou dois artigos ao tema, e tudo indica que este diferendo cultural pode ter outras consequências. Para já, são muitas as fotografias que circulam na rede e nos órgãos de comunicação: as mulheres muçulmanas escolheram o twitter para afirmarem o seu estatuto de pessoas educadas que contribuem diariamente para o bem estar do Reino Unido, onde vivem.

Fiza Azlam é uma das mulheres que já expressou o seu desagrado, num twitt em que afirma: “As mulheres muçulmanas não são um problema que tem de ser resolvido”.

Da próxima vez que anunciar um plano de ensino da língua para promover a integração de migrantes... David Cameron vai ter de escolher as palavras com mais atenção.

Os cursos vão avançar e são uma oportunidade para todos/as os/as migrantes que dominam mal a língua inglesa. Até porque Cameron já disse que quem não aprender a língua do país de acolhimento corre o risco de vir a ser deportado.