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Líder do partido holandês anti-imigrante distribui sprays com tinta vermelha

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REMKO DE WAAL/ AFP/ Getty Images

Geert Wilders disse que as mulheres devem poder defender-se contra as “bombas de testosterona islâmicas”

Luís M. Faria

Jornalista

O líder do Partido para a Liberdade (PVV), uma das principais forças políticas na Holanda, promoveu uma manifestação na qual distribuiu sprays com tinta vermelha. A mensagem de Geert Wilders, dirigida especialmente às mulheres, tinha a ver com o perigo representado pelos refugiados muçulmanos, na sequência das centenas de assaltos sexuais aparentemente praticados por jovens oriundos do Médio Oriente e do Norte de África durante a passagem de ano em Colónia, na Alemanha.

Wilders chamou a esses refugiados - e aos jovens muçulmanos em geral - “bombas de testosterona islâmicas”, e defendeu o direito das mulheres em andar com sprays de gás mostarda, que atualmente são proibidos no país. Já antes tinha afirmado que todos os candidatos a asilo do sexo masculino devem ficar detidos dentro dos centros que os alojam, sem serem autorizados a sair.

É mais uma declaração incendiária típica desse político de extrema-direita e ferozmente pró-israelita (ele diz que a verdadeira Palestina é a Jordânia, devendo os palestinianos ir viver para lá), cuja posição anti-islâmica é abertamente assumida. Wilders já várias vezes foi acusado de incitamento ao ódio e à discriminação. Chegou a ser julgado por isso em 2011, mas os juízes absolveram-no, por considerarem que o direito ao debate político livre se sobrepunha.

Capitalizar com a crise dos refugiados

É possível que Wilders regresse aos tribunais em 2016, mas para já continua a capitalizar na reação hostil de uma parte substancial da população ao afluxo maciço de refugiados ao país. Em 2015, o número oficial de chegadas atingiu quase os sessenta mil, cerca do dobro do ano anterior. Ao mesmo tempo, as sondagens de opinião dão uma subida acentuada do partido de Wilders, que em 2012 conseguiu 12 deputados num parlamento de 150, mas poderá vir a tornar-se a maior força política nas próximas eleições. Se estas fossem realizadas agora, o PVV chegaria provavelmente aos 36 lugares, segundo as sondagens.

Já na semana passada Wilders tinha incitado os cidadãos da pequena cidade de Heesch a protestarem contra o plano de instalar um centro de refugiados com capacidade para mil e quinhentas pessoas. Um fórum público para discutir a ideia teve de ser evacuado após os manifestantes lançarem ovos e fogo de artifício contra o edifício, que tentaram mesmo invadir, obrigando a polícia a disparar tiros para o ar.

EMMANUEL DUNAND/ AFP/ Getty Images

Uma reunião de ministros, um barco cheio de manequins

Entretanto, em Amsterdão, um encontro descrito como "informal" reuniu ministros europeus do Interior e da Justiça para debater a "crise migratória" em curso. Enquanto a reunião decorria, a Amnistia Internacional realizou um protesto original que envolveu um barco cheio de manequins. O significado, óbvio para toda a gente, era representar o perigo que enfrentam os refugiados que tentam desesperadamente chegar à Europa.

Alguns responsáveis europeus preferiram colocar a ênfase em fatores de ordem interna. "Sabemos a coisa principal, assegurar o livre movimento dentro da zona Schengen. É óbvio que temos de gerir melhor as nossas fronteiras externas", disse Dimitrus Avramopoulos, comissário europeu para a migração. "Assim, acolho a iniciativa tomada pela presidência holandesa de dar prioridade às fronteiras e guarda costeira da UE".