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Grécia ameaçada com expulsão do espaço Schengen

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NIKOS ARVANITIDIS / EPA

Alemanha, Áustria e Suécia – que até à data acolheram 90% dos refugiados – pressionam Atenas com uma redefinição das fronteiras comunitárias que exclua os gregos. A Comissão Europeia diz que “não há nenhum plano” para o fazer

Enquanto uma parte da Europa pensa em honras de um Nobel da Paz para os habitantes das ilhas gregas (pela sua “empatia e espírito de sacrifício” no acolhimento de refugiados), outra parte pensa em excluí-los da sua própria tentativa de inclusão.

A Grécia arrisca-se a uma expulsão ou suspensão do espaço Schengen, a zona livre de circulação de pessoas dentro da União Europeia, caso Atenas não “faça mais” para conter o fluxo de refugiados vindos da Turquia.

Bélgica, Áustria e Suécia manifestaram, esta manhã, o desejo de que a Grécia controle as “portas de entrada” dos refugiados na Europa, através de um controlo mais apertado junto da fronteira turca.

Os avisos surgem escassas horas antes de uma reunião decisiva em Amesterdão, onde vai discutir-se a extensão das atuais medidas de controlo fronteiriço por mais dois anos. Sobre a mesa estará o aumento das forças de segurança na fronteira grega com a Macedónia, uma decisão rejeitada por Atenas pelo receio de um “cemitério de almas” no seu lado da fronteira. Segundo o jornal britânico “The Telegraph”, outra opção passa por dar maior autonomia aos países para lidarem com os controlos fronteiriços dentro da área Schengen. Uma medida que se prevê “de emergência”, num período que poderá ir de seis meses a dois anos.

“Se não conseguirmos proteger as fronteiras externas da UE, a fronteira Grécia-Turquia, então a fronteira externa [do acordo Schengen], mover-se-á para a Europa Central”, diz Johanna Mikl-Leitner, ministra do Interior austríaca. A posição é apoiada pelo seu homólogo sueco Anders Ygeman, que exige controlos mais apertados na Grécia e na Itália. “Se um país não cumpre com as suas obrigações, teremos de restringir a área Schengen”, sustenta Ygeman.

Já o Governo francês, ainda na sequência dos ataques de Paris em novembro, apoia a ideia do Presidente checo Milos Zeman de criar “uma força fronteiriça multinacional” que previna a entrada excessiva de migrantes na Europa, com verificações mais detalhadas de quem entra e sai da União Europeia.

Uma responsável da Comissão Europeia já veio intretanto a terreiro referir que “não há quaisquer planos para a exclusão da Grécia da área Schengen”, reiterando que “essa possibilidade não existe” segundo as atuais regras. Porém, responsáveis europeus têm nos últimos dias alertado para a hipótese do colapso da zona livre de circulação.

A chanceler alemã Angela Merkel e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, avisam para os custos avultados de restabelecer as fronteiras nacionais. Na passada sexta-feira, foi o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, quem afirmou que os Estados-membros da União Europeia “poderiam receber mais refugiados sírios” se fossem “capazes de se organizar melhor”.

Desde o início do ano, cerca de 35.000 pessoas atravessaram a fronteira da Grécia com a Turquia, número vinte vezes superior ao verificado no mesmo período do ano passado.