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Em vez de presidenciais, no Haiti houve protestos

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ANDRES MARTINEZ CASARES/REUTERS

O presidente da comissão eleitoral do Haiti cancelou, na passada sexta-feira, a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para este domingo, 24 de janeiro. A decisão teve por base motivos de segurança

Várias pessoas invadiram as ruas da capital do Haiti em protestos, no dia em que deveria ter-se realizado a segunda volta de uma eleição presidencial esperada, mas que foi cancelada por razões de segurança. Na sexta-feira, o presidente da comissão eleitoral do Haiti, Pierre Louis Opont, adiou as eleições presidenciais, levando a oposição a organizar manifestações para denunciar um “golpe de Estado”.

Centenas de manifestantes deslocaram-se este domingo até à capital, Port-au-Prince, para expressar o seu descontentamento contra o Presidente Michel Martelly e o homem que apoia para seu sucessor, Jovenel Moise.

A primeira volta realizou-se em outubro passado e Moise obreve 32,76%, contra os 25,29% do candidato da oposição, Jude Celestin. Outros 54 candidatos foram eliminados. No entanto, muitos críticos, incluindo Celestin, acusaram Martelly de ter favorecido Jovenel Moise. Segundo a agência Reuters, o ainda Presidente haitiano defende que as alegações de fraude são infundadas.

Já Frantz Legros, uma das figuras da oposição, afirmou que é importante “uma análise real dos primeiros resultados antes de o processo eleitoral continuar”. E também mencionou que “Michel Martelly não tem legitimidade para fazer parte das negociações de transição”.

“Se não podemos votar, Martelly tem de ir embora”

No domingo, os apoiantes de Moise bloquearam com camiões uma das estradas mais importantes na rota do comércio do país com a República Dominicana, em sinal de protesto, disse o chefe da polícia regional Charles Nazaire Noel à Reuters. Já os manifestantes antigoverno reuniram-se no centro de Port-au-Prince, que ainda se encontra na sua maior parte em ruínas, devido ao terramoto de há seis anos. “Se nós não podemos votar, Martelly tem de ir embora”, gritavam os manifestantes pelas ruas da capital.

A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, tem acompanhado atentamente a situação no Haiti. Em comunicado, este domingo, o Departamento do Estado dos Estados Unidos disse que “intimidação eleitoral, destruição da propriedade e violência são inaceitáveis” e “contra os princípios e leis democráticas do Haiti”.

O Haiti tem sido incapaz de construir uma democracia estável desde que a ditadura de 1957-1986 foi derrubada. De acordo com a constituição do país, Martelly tem de sair da presidência no dia 7 de fevereiro. Contudo, ainda não há data para as novas eleições.