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Vírus de Zika. Prevenção alargada a mais países

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STRINGER/REUTERS

O Brasil é atualmente o país mais afetado, com um número de casos que oscila entre os 440.000 e os 1.300.000. Grávidas são o grupo mais vulnerável, já que se pensa que o vírus esteja associado ao aumento do número de recém-nascidos com microcefalia que se tem verificado no país. Este sábado, foram confirmados casos de infeção nos Estados Unidos e Reino Unido

Helena Bento

Jornalista

O Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos acrescentou na sexta-feira novos nomes à lista de países para os quais as mulheres grávidas não devem viajar, devido às elevadas taxas de infecção pelo vírus de Zika. Aos 14 países que constavam inicialmente da lista do CDC (na sigla original em inglês) juntaram-se oito novos países da América do Sul e região das Caraíbas e Polinésia.

Isolado pela primeira vez em 1947, num macaco "rhesus" oriundo da floresta de Zica, no Uganda, o vírus de zika transmite-se apenas pela picada de mosquitos do género "Aedes" infetados. O Brasil é atualmente o país mais infetado, com um número de casos que oscila entre os 440.000 e os 1.300.000, de acordo com um comunicado do Instituto Pasteur divulgado esta semana. Os sintomas mais comuns foram descritos como sendo febre e erupções cutâneas, mas o aumento extraordinário - e sem precedentes - do números de recém-nascidos com microcefalia - uma doença neurológica em que os bebés nascem com o tamanho da cabeça significativamente abaixo da média, afetando o normal desenvolvimento do cérebro - está a preocupar verdadeiramente as autoridades no Brasil.

Na quarta-feira, as autoridades brasileiras revelaram que desde outubro já foram registados 3893 casos de bebés nascidos com esta doença, um aumento brutal em relação aos 3530 que se registavam na semana passada e aos 150 que normalmente se registam por ano, explica o jornal “Globo”. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, enquanto que em 2010 nasciam no Brasil 5,7 crianças em cada 100.000 com microcefalia, a 30 de Novembro de 2015 o número já tinha subido para 99,7 crianças.

Novos casos de Zika nos EUA e Reino Unido

Este sábado, foram confirmados três casos de infecção pelo vírus nos Estados Unidos. Segundo a Lusa, as três pessoas em causa viajaram recentemente para regiões - não foram especificadas quais - onde a doença está a propagar-se rapidamente, tendo regressado entretanto a Nova Iorque. Nenhuma delas corre risco de vida.

Também no Reino Unidos foram registado este sábado três casos de infecção. Trata-se de pessoas que estiveram na Colômbia, Suriname e Guiana, três dos países mais afetados pela doença, segundo um comunicado do Serviço Nacional de Saúde britânico, citado pelo "Guardian".

Colômbia prevê até 700 mil infecções de vírus Zika este ano

Apesar de até agora terem sido confirmados apenas seis casos de microcefalia causada pelo vírus de Zika, há vários indícios de que vírus e doença neurológica estejam relacionados. De acordo com um estudo recente desenvolvido por um grupo de brasileiros do Instituto Carlos Chagas, da Fundação Fiocruz, e da Pontifícia Universidade Católica Paraná, o vírus consegue ultrapassar a placenta durante a gestação.

Nos últimos dias, vários países adotaram medidas para tentar evitar o risco de propagação do vírus. No Brasil, Colômbia, El Salvador e Jamaica as autoridades nacionais estão a aconselhar as mulheres que pretendam ter um filho em breve a adiar a gravidez.

A Colômbia é, a seguir ao Brasil, o país mais afetado. Números do instituto de Saúde colombiano de 15 de janeiro revelam que o país teve 10.837 casos confirmados de infeções. As autoridades sanitárias colombianas estimam que o vírus possa infetar até 700 mil pessoas este ano no país.

Guatemala, Haiti, Honduras, Martininca, México, Panamá, Paraguai, Venezuela, Porto Rico, Hawai e Suriname são os restantes países que constam da lista do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

  • Brasil. Surto do vírus zika faz disparar casos de bebés com microcefalia

    Aumento dos casos está relacionado com o vírus Zika, transmitido pela picada do mosquito que também é responsável pela propagação de dengue e febre amarela. Desde outubro, já morreram pelo menos cinco bebés que nasceram com crânios anormalmente pequenos. Gravidas aconselhadas a não visitarem o Brasil e outros países vizinhos da América Latina