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Paris condecora 3 porteiros portugueses que socorreram vítimas dos atentados

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CHRISTIAN HARTMANN

Anne Hildalgo, presidente da Câmara de Paris, condecora neste sábado sete porteiros que prestaram socorro às vítimas dos atentados de 13 de novembro. Três deles são portugueses

Depois das homenagens oficiais e nacionais às vítimas dos atentados terroristas de sete e nove de janeiro e 13 de novembro de 2015 (147 mortos no total e mais de 350 feridos), bem como aos socorristas e aos polícias, é a vez de serem louvados os que estavam a cair no esquecimento e prestaram uma ajuda inestimável aos sobreviventes.

A Câmara de Paris vai condecorar neste sábado, nos salões nobres do município, sete porteiros, seis deles residentes nos arredores da sala de espetáculos Le Bataclan, que foram autênticos anjos da guarda para os feridos e os que fugiam, num caos terrível e em autentico estado de choque, às rajadas cegas de tiros e ao massacre que então aí se verificou (90 mortos no Bataclan e numa esplanada contígua, na sexta-feira 13 de novembro).

Três dos homenageados são portugueses, chamam-se José e Manuela Gonçalves e Margarida dos Santos Sousa e vivem todos muito perto do Bataclan. Estes três, bem como os quatro outros “concierges”, nunca mais esquecerão o que viram e ouviram naqueles momentos de horror, os ruídos dos tiros e os gritos lancinantes de dor e de pânico dos numerosos feridos e fugitivos que procuravam ansiosamente um abrigo.

Acolheram dezenas de fugitivos nos seus pátios e nos seus pequenos apartamentos de porteiros. Deram-lhes água, café, cobertores, prestaram os primeiros socorros aos feridos, tentaram acalmar com carinho os que tinham caído em inevitável histeria e nem conseguiam sequer falar.

No dia seguinte aos atentados, este e outros repórteres falaram com José Gonçalves e a forma como ele descreveu o que viu diz tudo: “Alguns que aqui chegavam na noite de sexta-feira durante o ataque ao Bataclan tremiam tanto que nem conseguiam segurar nos copos para beber a água que lhes dávamos”.

A vizinha, Margarida dos Santos Sousa disse mais ou menos o mesmo sobre o que viveu nesses terríveis momentos, aos jornalistas e às autoridades.

José e Manuel têm respetivamente 48 e 50 anos de idade, foram para França ainda crianças – ele com três anos, ela com 13. Deram guarida a dezenas de fugitivos, alguns cobertos de sangue, no pátio do seu edifício, no número oito da rua Oberkampf. No seu pequeno apartamento, Manuela tratou de uma jovem grávida ferida por bala, socorreu-a até à chegada dos bombeiros e reconfortou muitos outros enquanto o marido distribuía água e cobertores no pátio. Ajudaram numerosas pessoas até às 4h30 da manhã nessa noite em que o terror desceu à cidade-luz.

Margarida dos Santos Sousa tem 57 anos e chegou a França aos 21. É porteira no número 87 da Boulevard Richard Lenoir, igualmente, tal como a rua Oberkampf nas proximidades do Bataclan.

Acolheu na sua portaria, que lhe serve também de habitação, meia dúzia de feridos, um deles, uma jovem, em estado grave, cujo namorado, soube-se mais tarde, morrera dentro da sala de espetáculos.

Chamou ela própria os bombeiros r prestou os primeiros socorros aos feridos. Ajudou os socorristas e orientou-os para outros locais da zona onde se encontravam outros feridos aos gritos. Apoiou desse modo com grande humanismo dezenas de pessoas, até às três da manhã.

Os quatro outros porteiros que vão ser homenageados agiram de forma idêntica durante os atentados, um deles no de quase um ano antes, em janeiro, contra um supermercado propriedade de judeus, na porta de Vincennes. Três são franceses, um outro, uma senhora, é de origem paquistanesa. Todos os sete têm recebido flores e cumprimentos de agradecimento da parte de vizinhos e das vítimas.

A cerimónia deste sábado, na Câmara de Paris, está integrada numa homenagem mais geral do município aos porteiros de Paris.

Os sete homenageados pela ajuda que prestaram às vítimas durante os atentados serão condecorados com a medalha de bronze da Câmara parisiense pela presidente da edilidade, a franco-espanhola, Anne Hidalgo, que será acompanhada na ocasião pelo seu adjunto para o alojamento, Ian Brossat, e pelo franco-português Hermano Sanches Ruivo, seu conselheiro delegado para os assuntos europeus.