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Internacional

Alemanha lança app que ensina refugiados a lidarem com as mulheres

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A Ankommen é uma aplicação que se apresenta como "a companhia para as primeiras semanas na Alemanha"

 JOERG CARSTENSEN

A Alemanha ainda não se recompôs depois dos ataques de Colónia - onde ainda não se sabe ao certo quantas mulheres foram abusadas na noite de ano novo, num ataque em que as autoridades suspeitam do envolvimento de refugiados. Prova disso é o lançamento da aplicação Ankommen, que ensina aos refugiados os costumes, hábitos e até horários alemães

Na Alemanha, não se dá palmadas no rabo das mulheres e tanto homens como mulheres podem escolher livremente o companheiro ou companheira, assim como a religião que seguem. Parece óbvio, mas estas duas informações fazem parte da lista que a nova aplicação para telemóvel criada pela Alemanha fornece aos refugiados que chegam, como relata o "El Mundo".

A iniciativa é uma parceria da Oficina Federal de Migração e Refugiados, do Goethe Institut e da Radiotelevisão Bávara. Objetivo: orientar os refugiados que chegaram e continuam a chegar à Alemanha para minimizar o choque cultural e, provavelmente, evitar que situações como a de Colónia.

Os refugiados que se instalarem no país de Merkel ficarão também a saber que a roupa de uma mulher alemã não traduz a sua vontade de se envolver sexualmente com alguém, mas o guia, batizado "Ankommen" (Chegar, em alemão) não fica por ali: as instruções abrangem outras temáticas que não a das relações entre homem e mulher. A aplicação também lista, por exemplo, as obrigações que os pais devem cumprir relativamente à escolarização e cuidados de saúde dos filhos.

Uma companhia para as primeiras semanas

Os migrantes poderão ainda aprender conhecimentos básicos de alemão com a aplicação, que está disponível em árabe, inglês, farsi, francês e alemão e se apresenta como "a companhia para as primeiras semanas na Alemanha", explica a Reuters.

A Ankommen também fornece informações tanto sobre os direitos dos migrantes como sobre as consequências de cometerem delitos na Alemanha, arriscando-se a perder o direito ao asilo - um discussão que se tornou central no país depois dos incidentes de Colónia, que resultaram na intensificação dos discursos anti-refugiados dos partidos e movimentos de extrema direita.

A Alemanha é o país europeu que já acolheu mais requerentes de asilo desde o início da atual crise dos refugiados. Os 1,1 milhões de refugiados que chegaram ao país no último ano vêm maioritariamente da Síria, mas também da Eritreia, Afeganistão e Iraque.

  • Na cidade onde não se sabe quantas mulheres foram abusadas naquela noite

    Colónia está irreconhecível desde os ataques da noite de passagem de ano: foram apresentadas 553 queixas, 54% das quais reportam “abusos sexuais”. Há refugiados entre os acusados e ainda ninguém sabe ao certo o que se passou e quantas mulheres foram atacadas. Manifestações de direita, contramanifestações, hooligans e neonazis ajustam contas, espalhando a inquietação. Com o maior carnaval da Europa à porta, a cidade tem pouco tempo para (se) convencer que a vida pode voltar ao normal. Reportagem em Colónia