Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Muçulmanos da Arábia Saudita proibidos de jogar xadrez. “É uma perda de dinheiro e causa inimizades”

  • 333

Chefe da comunidade islâmica compara o jogo ao consumo de “substâncias tóxicas”, “adivinhação” e “idolatria”

“O xadrez é uma perda de tempo e dinheiro e causa ódios e inimizades entre os jogadores”. O jogo acaba de ser proibido na Arábia Saudita e este é o argumento com que o Mufti (o chefe da comunidade islâmica) daquele país, o xeque Abdullah al-Sheikh, justifica a decisão.

Comparando o xadrez ao vício do jogo, Abdullah al-Sheikh, que falava num programa de televisão para responder às dúvidas dos cidadãos muçulmanos sobre várias leis, citou ainda um verso do Corão que proíbe “as substâncias tóxicas, o jogo, a idolatria e a adivinhação”, conforme relata o britânico “The Guardian”.

Esta não é a primeira vez que o xadrez é considerado um jogo perigoso ou com efeitos negativos. No Iraque, o aiatola Ali al-Sistani, a autoridade religiosa máxima na comunidade xiita, já tomou a mesma medida, proibindo o xadrez “em quaisquer circunstâncias”, mesmo não havendo uma aposta associada ao resultado da partida.

E os antecedentes não ficam por aqui. Como o “Guardian” recorda, depois da revolução iraniana de 1979, quando os xiitas liderados pelo aiatola Rouhollah Khmeini derrubaram o Governo do Xá Reza Pahlevi, que estava no poder desde 1940 com o apoio dos Estados Unidos, o país foi declarado uma República islâmica e o jogo foi proibido pelas autoridades máximas do Islão. No entanto, em 1988 o jogo acabou por ser autorizado com a condição de que não fossem feitas apostas.

A imprensa internacional sublinha que é improvável que esta regra seja aplicada, estando a ser encarada como um conselho e não como uma regra formal. Ainda assim, o “Guardian” prevê que o xadrez passe a ser visto como um vício menor - um estatuto que a música, por exemplo, partilha naquele país.

O presidente do comité legal da Associação de Xadrez da Arábia Saudita, Musa Bin Thaily, é da mesma opinião, tendo recorrido ao Twitter para explicar que o torneio nacional de xadrez que tem início esta sexta-feira se mantém. Bin Thaily acrescenta que a regra agora enunciada não tem validade jurídica e responde aos seguidores que o criticaram por estar a expressar-se em inglês para comunicar com “o ocidente”: “Se vocês se envergonham de alguma coisa, provavelmente é porque é errada”, escreveu.