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Irão diz que Arábia Saudita está a “entrar em pânico”

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Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros diz que o atenuar das tensões entre o seu país e o Ocidente cria receios nos sauditas de que se desvaneça a “barreira de fumo” que lhes permitiu exportar a sua ideologia de extremismo

Numa entrevista concedida à CNN após a concretização da troca de prisioneiros entre os Estados Unidos e o Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano Javad Zarif diz que a Arábia Saudita está a “entrar em pânico” perante o atenuar das tensões entre o Ocidente e o regime de Teerão.

“Os sauditas estão a entrar em pânico de que haja a possibilidade das tensões entre o Irão e o Ocidente reduzirem a barreira de fumo que lhes permitiu exportar a ideologia de extremismo” do Wahhabi (uma variante de islamismo sunita), afirma. Em resposta à acusação saudita de que o Irão tem uma política expansionista e que apoia o terrorismo, o ministro afirmou que na verdade quem apoia o terrorismo são os sauditas, referindo que 15 dos 19 terroristas nos atentados de 11 de Setembro de 2001 eram de nacionalidade saudita.

Zarif diz que a instabilidade na região é causada pelo pânico da Arábia Saudita: “Infelizmente, os sauditas tiveram a ilusão de que, apoiados pelos ocidentais, poderiam expulsar o Irão para fora da equação e foram bem sucedidos durante algum tempo”.

“Nós não temos que comprar uma luta com a Arábia Saudita”, afirma, manifestando-se “cansado” das acusações do país vizinho e convicto de que os dois países podem “acomodar-se e complementar-se” na região.

A tensão entre os dois países aumentou significativamente após a Arábia Saudita ter executado 47 pessoas, entre as quais um destacado clérico shiita, o que levou manifestantes a atacarem a a Embaixada saudita em Teerão.