Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A cidade das 123 pontes para ciclistas e dos 370 parques

  • 333

Odense é a terceira maior cidade da Dinamarca e quer mudar. “A cidade tornou-se grande e chata”

Se tivesse uma máquina do tempo e levasse um habitante da cidade dinamarquesa de Odense a dar um passeio por ali no ano 2020, ele era capaz de não reconhecer o sítio onde vive: a via que atravessa a cidade de uma ponta à outra vai deixar de existir para dar lugar a um conjunto de transportes amigos do ambiente, praças ao ar livre, passeios pedonais e edifícios modernos.

A rua Thomas B Thriges é desde 1960 uma marca distintiva de Odense: construída como uma solução para contornar o excesso de trânsito, a via de quatro faixas está instalada exatamente no centro da cidade. Mas isso está prestes a mudar, uma vez que o projeto arqutetónico que decorre desde 2012 e que deverá terminar em 2020 vai dar um aspeto completamente diferente - e bastante mais verde - ao centro da cidade.

Não é que Odense precise urgentemente de resolver problemas de trânsito ou de diminuir a poluição. Na cidade, cujo lema é “Brincar é viver”, os cidadãos estão habituados a deslocar-se de bicicleta - há 123 pontes só para ciclistas e 81% das crianças usam este meio de transporte para chegar à escola - e a contar com muitos espaços verdes, praças e parques - são 370 no total - para conviver.

A modernização de Odense tem que ver com fatores ambientais, mas não só. A cidade, que já foi um importante centro industrial no país, quer recuperar esse estatuto, razão pela qual o plano inclui a construção de um conjunto de edifícios que vão integrar um novo distrito financeiro e criar mil postos de trabalho, além de estar prevista a construção de 300 casas. Outro dos objetivos é criar um centro cultural mesmo no meio da cidade - tudo isto no espaço que a rua Thomas B Thridges ainda ocupa, apesar de duas das suas faixas já estarem fechadas.

“Odense tornou-se uma cidade grande e chata”

O prefeito da cidade, Anker Boye, resume o objetivo do projeto ao “Guardian”: “Sabemos que temos de viver de negócios privados, por isso temos de garantir boas condições para isso. Mas nós preocupamo-nos com a vida das pessoas”.

Boye acrescenta que a cidade está a tentar conciliar uma remodelação em grande escala com a conservação da sua identidade. “Nos anos 1960, as pessoas achavam que era uma boa ideia comprar casa e carro, e as casas das famílias novas foram sendo construídas nos subúrbios da cidade. Odense tornou-se uma cidade grande e chata. Agora estamos a concentrar-nos em construir coisas novas nas velhas áreas industriais, mas estamos a tentar fazê-lo de uma forma inteligente”.