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Tusk alerta que UE tem dois meses para resolver a crise dos refugiados

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MARKO DJURICA/REUTERS

Presidente do Conselho Europeu diz que caso contrário o velho continente enfrentará o colapso da zona Schengen e a União Europeia falhará enquanto “projeto político”

Dois meses. É este o tempo que a União Europeia tem para resolver a crise dos refugiados. O presidente do Conselho Europeu alertou esta terça-feira que a ação no velho continente terá que ser rápida, perante o risco de colapso da zona Schengen e da União Europeia falhar enquanto “projeto político.”

“Não temos mais que dois meses para controlarmos a situação. O Conselho Europeu de março será a última oportunidade para perceber se a nossa estratégia resulta. Se verificarmos que não é eficaz, iremos enfrentar graves consequências, como o colapso de Schengen”, declarou Donald Tusk aos eurodeputados, em Estrasburgo.

Num discurso duro, o líder do Conselho Europeu sublinhou que será inevitável o fracasso da UE, se não conseguir controlar adequadamente as suas fronteiras.

Tusk referiu que os últimos dados disponíveis indicam a chegada ao velho continente de mais de 2000 refugiados por dia, de acordo com os dados da agência Frontex.

Desaparecimento de Schengen terá custos

O responsável lamentou ainda que os governos europeus tenham falhado no que diz respeito aos compromissos assumidos para controlar o fluxo de refugiados. E alertou para os custos reais da falta de uma solução para o problema.

“O desaparecimento de Schengen acarretará custos, se fecharmos as fronteiras, se o mercado interno começar a sofrer em consequência da reintrodução de fronteiras, que não podemos controlar, o dia virá em que nos questionaremos sobre se precisamos ou não, verdadeiramente, de uma moeda única se não houver mercado único e deixar de existir livre circulação de trabalhadores.”

A cimeira do Conselho Europeu, que decorrerá entre 17 e 18 de março, terá como principal tema a crise dos refugiados.

Recorde-se que países como a Alemanha, Suécia e Dinamarca passaram a controlar as fronteiras, face ao número crescente de refugiados.

Nesta altura, milhares de cidadãos - oriundos sobretudo do Médio Oriente e da África - enfrentam temperaturas negativas na região das Balcãs, tendo como destino outros países europeus.

No ano passado, mais de um milhão de refugiados chegaram à Europa, segundo a Organização Internacional para as Migrações. Pelo menos 3800 pessoas morreram durante os percursos - sobretudo em naufrágios -, quando tentavam alcançar o território europeu.