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Pedalou da Índia à Suécia por amor

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É uma história com décadas e que a BBC descobriu recentemente

Ao contrário dos mais céticos, há quem acredite no destino e nas previsões dos astros. É o caso de PK Mahanandia. O artista indiano, que na década de 70 fazia retratos nas ruas de Nova Deli e que era alvo de boas críticas pela imprensa local, nunca se esqueceu de uma frase da mãe.

“Um dia deverás conhecer uma mulher com quem te vais casar, que será do signo touro. Ela deverá vir de uma terra distante, ser musical e dona de uma selva.”

Corria o ano de 1975. Era uma tarde de inverno na capital indiana quando Charlotte Von Schedvin, uma jovem sueca que fazia uma viagem com um grupo de amigos desde a Suécia - passando pela Turquia, o Irão, Afeganistão e Paquistão até chegar à Índia - resolveu dar uma oportunidade ao artista. “Retratos em 10 minutos?” Não hesitou.

Contudo, a primeira tentativa não correu bem. Voltou no dia seguinte. Mas o resultado também não foi o esperado. PK Mahanandia quis desculpar-se e contou à jovem o que a mãe lhe tinha dito.

“Havia uma voz que me dizia que era ela. Durante o nosso primeiro encontro nós fomos atraídos como ímanes. Foi amor à primeira vista”, contou PK Mahanandia à BBC.

Profecia confirmada

Depois de Charlotte Von Schedvin lhe ter parecido que correspondia a todas as previsões da mãe do artista, PK Mahanandia convidou-a para um chá. Nascia assim uma história de amor.

“Pensei que ele era honesto e quis saber porque me estava a fazer aquelas questões”, disse Charlotte Von Schedvin à estação britânica.

Vinte e dois dias depois, a viagem de Charlotte chegava ao fim e tinha que regressar. Durante mais de um ano, os dois mantiveram-se em contacto por carta.

Mahanandia não tinha dinheiro para comprar um bilhete de avião. Mas as saudades apertavam. Foi então que decidiu vender tudo o que tinha na Índia e comprar uma bicicleta.

Pedalar 70 km por dia

Aquilo que parecia ser uma missão impossível foi superada. Partiu no dia 22 de janeiro de 1977 de Nova Deli e chegou a 28 de maio à Europa . Para isso, foi preciso pedalar cerca de 70 km por dia.

“[Pelo caminho] fiz retratos de pessoas e algumas deram-me dinheiro, enquanto outras deram-me comida e abrigo”, conta PK Mahanandia.

Hoje em dia continuam juntos. Aos 64 anos, PK Mahanandia vive com Charlotte e os dois filhos de ambos.