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O marido de Marco morreu durante a lua de mel, mas a certidão de óbito diz que “nunca foi casado”

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David morreu durante a lua de mel, meses depois de ter casado com Marco. No entanto, um estado australiano onde ambos passavam férias não reconhece o casamento homossexual - mesmo que tenha sido celebrado no estrangeiro

David Bulmer-Rizzi encontrava-se na Austrália em lua de mel - ele e Marco casaram-se há sete meses, em Londres - quando caiu de umas escadas e partiu a cabeça, acabando por não resistir aos ferimentos. Mas da certidão de óbito de David não consta o nome de Marco, uma vez que o Governo australiano não reconhece o casamento dos dois, relata o “Guardian”.

O caso está a gerar polémica e Marco pede agora a intervenção do Executivo britânico, uma vez que lhe foi comunicado que na certidão de óbito do marido poderá ler-se que David “nunca casou”. Para mais, toda a logística relativa às cerimónias fúnebres teve de ser tratada pelo pai de David, que se apressou a voar até à Austrália, uma vez que Marco não foi considerado parente do falecido. Tudo porque naquele país o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é legal, e no estado da Austrália do Sul, onde ambos passavam a lua de mel, o mesmo acontece para os casamentos homossexuais que tenham sido celebrados no estrangeiro.

Em declarações ao website norte-americano Buzzfeed, Marco, que apela agora à ação do Governo britânico, explica o que sente relativamente à decisão do estado australiano: “Aos olhos do Governo da Austrália, eu não sou nada”.

“Lei não reconhece amor e compromisso”

A polémica está a gerar pedidos dos ativistas pelos direitos dos homossexuais na Austrália. Uma dessas pessoas é Amy Schuman, citada pelo “Guardian”: “A maioria dos habitantes da Austrália do Sul considera chocante que a nossa lei não tenha reconhecido o amor e o compromisso da relação de David e Marco”, explica.

A decisão está a gerar espanto especialmente por este estado ter dado os primeiros passos do país na igualdade de direitos para os homossexuais: a Austrália do Sul foi o primeiro estado a despenalizar a conduta sexual entre homens e a introduzir na lei a idade de consentimento para relações sexuais tanto entre heterossexuais como entre homossexuais.

No passado mês de setembro, o Instituto da Reforma Legislativa na Austrália do Sul, na Universidade de Adelaide, recomendou a eliminação de 14 trechos na legislação do estado que podem ser considerados discriminatórios.