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Cofundador de ONG ‘confessa’ culpa na televisão chinesa. É falso, dizem os colegas

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Detido e acusado de ser um agente estrangeiro, ao serviço de forças hostis para atentar contra a segurança da China, o sueco Peter Dahlin apareceu no pequeno ecrã para admitir ser culpado e pedir desculpa. Membros da China Action consideram confissão “absurda”

O sueco Peter Dahlin, cofundador da organização não-governamental China Action e detido no início do mês, apareceu na televisão estatal chinesa, para confessar ter violado a lei da China e pedir desculpa por isso. A confissão é classificada por membros da sua organização como “falsa” e “absurda”.

“Violei a lei da China com as minhas ações. Prejudiquei o Governo chinês e feri os sentimentos do povo chinês. Peço sinceras desculpas por tudo”, declarou Dahlin no vídeo transmitido, onde aparece filmado no interior de um apartamento.

Em causa, diz a estação CCTV, está uma suposta ação de Dahlin como uma espécie de agente estrangeiro, enviado por forças hostis, com o objetivo de minar o poder do Partido Comunista Chinês e atentar contra a segurança do Estado.

O sueco é acusado de, em conjunto com outros membros da sua organização, ter recebido dinheiro, que não declarou, e de levar a cabo atividades “irregulares”, pagando a advogados chineses para criarem “problemas”, ou seja, ser colocada em risco “a segurança do Estado”.

“Não me posso queixar de nada. Creio que estou a ser bem tratado, com boa comida e muitas horas de sono e não sofri qualquer tipo de maus tratos”, disse também Dahlin, que, atendendo ao local da filmagem, estará em prisão domiciliária.

Na gravação da CCTV, o advogado de direitos humanos Wang Quanzhang e o ativista Xing Qingxian, também detidos, admitem igualmente as suas culpas no caso.

Em qualquer dos casos, a ONG China Action, que se dedica à consciencialização sobre direitos cívicos e oferece assistência jurídica a setores marginais, considera que as confissões foram realizadas “sob coação”.

Peter Dahlin foi detido no aeroporto de Pequim, no dia em que ia deixar o país.