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Sinto-me vivo pela primeira vez

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A família de Amir Hekmati foi chamando a atenção para o seu caso ao longo dos últimos anos

KAREN BLEIER/ Getty Images

Foi detido no Irão em 2011 sob acusação de espionagem. Em 2012 foi condenado à morte. Depois mudaram-lhe a pena: 10 anos de prisão. Pelo meio foi sujeito a privação de sono. Agora libertaram-no. “Estava num ponto em que me tinha conformado com o facto de que iria estar dez anos na prisão.”

Anseia pelo momento em que voltará a abraçar os pais, em que chegará a casa e em que regressará ao seu país. Falta pouco para isso acontecer. Amir Hekmati, 32 anos, foi um dos cinco norte-americanos libertados na sequência da troca de prisioneiros, realizada no passado domingo, entre os Estados Unidos e o Irão. O antigo militar falou esta terça-feira pela primeira vez com os jornalistas, no Centro Médico de Landstuhl, na Alemanha, onde se encontra internado.

“É como renascer. Sinto-me realmente um sortudo. Pela primeira vez sinto-me vivo”, disse Amir Hekmati.

Até há dois dias, o veterano norte-americano estava atrás das grades numa prisão no Irão. Evitou falar sobre os quatro anos e meio que lá passou - garantiu apenas “que não foi nada bom”. Segundo fontes oficiais, citadas pelo canal NBC, Amir Hekmati foi colocado na solitária e sujeito a privação do sono. “Não queria desiludir os companheiros marines e a nossa reputação, então tentei o meu melhor para manter a cabeça levantada e suportar toda a pressão a que me sujeitaram.”

“Arruma as tuas coisas” foram as palavras que trouxeram a boa notícia. Amir Hekmati recordou que numa manhã um agente iraniano chegou junto dele e lhe disse apenas que iria regressar aos Estados Unidos. “Estava num ponto em que me tinha conformado com o facto de que iria estar dez anos na prisão, por isso foi uma surpresa e senti-me realmente abençoado pelo que o governo fez por mim e pelos outros norte-americanos”, contou, citado pela Associeted Press.

Por várias vezes foi comunicado a Amir Hekmati a possibilidade de ser libertado, mas na hora H isso não acontecia. O militar disse mesmo que só quando chegou ao aeroporto é acreditou que iria para casa.

“Assim que deixamos o espaço aéreo iraniano, só se ouvia rolhas das garrafas de champanhe a saltarem”. Depois chegaram os chocolates e uma refeição de veado.

Esta segunda-feira jantou com as duas irmãs e o irmão. Brevemente regressará aos Estados Unidos da América. “Está realmente muito ansioso para ver os pais. O pai está doente - quando o Amir foi preso estava saudável - por isso a reunião ganha outra dimensão”, disse Dan Kildee, representante do militar.

Amir Hekmati, Jason Rezaian, um jornalista do “Washington Post” e Saeed Abedini, pastor, foram libertados no passado domingo e rumaram à Alemanha. Agora encontram-se a ser tratados no Centro Médico de Landstuhl. O quarto norte-americano a ser libertado optou por permanecer no Irão. Entretanto, um quinto preso, também cidadão dos EUA, foi libertado numa situação separada.

O grupo regressou à liberdade depois de o governo norte-americano ter libertado sete iranianos que estavam presos ou à espera de julgamento nos EUA.

Da pena de morte a dez anos na prisão

Amir Hekmati nasceu no estado do Arizona e cresceu na zona de Flint, no Michigan. Em agosto de 2011, durante uma visita ao Irão para visitar a avó, foi detido. Era acusado de espionagem.

Em 2012 foi considerado culpado e condenado à morte. No entanto, um tribunal de instância superior deu ordens para refazer o julgamento do militar e a pena foi reduzida. Amir Hekmati acabou por ser condenado a dez anos na prisão. Esta domingo, após quatro anos e meio de detenção, deixou o Irão para trás. Está em liberdade e “renascido”.