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Internacional

Crianças com 7 anos trabalham em minas de cobalto usado nos telemóveis

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FEDERICO SCOPPA / Getty Images

A Amnistia Internacional diz ter encontrado uma relação entre cobalto usado em baterias de aparelhos domésticos, como telemóveis de marcas de topo, e minas na República Democrática do Congo onde trabalham crianças em condições que lhes colocam a vida em risco

Crianças que chegam a não ter mais de sete anos de idade trabalham em condições perigosas na República Democrática do Congo, em minas de onde é extraído cobalto depois utilizado em telemóveis, computadores e outros aparelhos vendidos por todo o mundo, de marcas como a Apple, a Microsoft ou a Vodafone, entre outras.

A denúncia é da Amnistia Internacional. Uma investigação desta organização de defesa dos Direitos do Homem permitiu descobrir que o cobalto usado nas baterias de lítio vendidas a 16 marcas multinacionais vem de minas onde adultos e crianças recebem o equivalente a 90 cêntimos por dia, trabalhando em condições perigosas e sendo submetidos a violências e intimidações.

A investigação da Amnistia Internacional foi feita em conjunto com a organização não-governamental africana African Resources Watch, que centra a sua atividade na defesa dos Direitos Humanos na indústria extrativa. Foram entrevistados 90 adultos e crianças que trabalham em cinco minas artesanais de cobalto. Os entrevistados falaram de horários de trabalho de 12 horas por dia, sem fatos ou equipamento de proteção.

Em relação às crianças, carregam pesadas cargas de minério em bruto no meio de calor intenso, sem luvas ou máscara, recebendo entre 90 cêntimos e 1,8 euros por dia. Algumas queixaram-se de terem sido espancadas por guardas das empresas mineiras ou de serem obrigadas a pagar “multas” quando as minas ilegais onde trabalham são alvo de inspeções

Mais de metade do fornecimento mundial de cobalto é proveniente da República Democrática do Congo, sendo 20% deste oriundo de minas artesanais na região setentrional do país. Em 2012, a UNICEF estimava que havia cerca de 40 mil crianças a trabalhar mas minas do sul do país, muitas delas de exploração de cobalto.