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Primárias democratas. Hillary Clinton e Bernie Sanders passam ao ataque

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O debate girou à volta do confronto entre os dois principais candidatos à nomeação democrata

RANDALL HILL

Os dois pré-candidatos do Partido Democrata às presidenciais de novembro acusam a pressão. Em dia de debate, Clinton associou Sanders ao lóbi das armas e o senador de Vermont frisou que não recebe “dinheiro de grandes bancos para fazer discursos”

Se até agora os candidatos do Partido Democrata à nomeação para as presidenciais norte-americanas andavam em aquecimento, o debate deste domingo foi, pelo menos para Hillary Clinton e Bernie Sanders, o apito inicial da corrida à Casa Branca. Os candidatos puseram as garras de fora num confronto marcado por acusações fortes de parte a parte, menos de duas semanas antes do caucus do Iowa, em que um dos candidatos poderá ficar mais perto da nomeação.

Dois fatores poderão ter levado ao maior pico de crispação desde que a campanha para as presidenciais nos Estados Unidos começou, recorda a imprensa internacional: a proximidade do caucus do Iowa, evento em que os militantes democratas daquele estado-chave demonstrarão apoio a um dos candidatos, e o facto de Bernie Sanders estar a aproximar-se de Hillary nas sondagens (o senador do Vermont começou a campanha com 30 pontos de atraso em relação à antiga secretária de Estado e agora continua atrás mas com apenas 12 pontos a menos).

O combate fez-se entre a candidata acusada de pertencer ao sistema, que se gaba dos anos de experiência como senadora, primeira-dama e secretária de Estado, e o outsider que se orgulha de querer promover uma “revolução” e se diz socialista. E foi com argumentos destes que os principais ataques se construíram: Sanders acusou Hillary de alegada falta de empenho na regulação de Wall Street (serviços financeiros e banca) e de tolerância para com a influência dos poderes económicos na política. Afirmou que a candidata recebeu “pagamentos da Goldman Sachs para fazer discursos”.

Mas Hillary também tinha um trunfo na manga e atacou Sanders por ter votado em várias ocasiões a favor dos interesses da NRA (National Rifle Association), o poderoso lóbi das armas. Um tema em que Clinton se focou para reclamar a herança de Barack Obama, defendendo a posição do atual Presidente em relação à regulação do porte de armas nos EUA, e lançar dúvidas sobre a posição de Sanders como candidato antissistema.

Saúde, um ponto fulcral

Os planos para o sistema de saúde norte-americano também constituíram um ponto importante no debate transmitido pela cadeia de televisão NBC, e no qual participou ainda Martin O’Malley, ex-governador de Maryland. Sanders revelou, pouco antes do debate, propostas concretas para fazer a entidade patronal pagar pelos cuidados de saúde; Clinton recordou que essas medidas não tiveram votos suficientes “nem quando os democratas dominavam o Congresso” e que as ideias de Sanders poderão significar um retrocesso face às reformas feitas por Obama no setor da saúde.

Mas o senador do Vermont rejeitou as acusações “desonestas e sem sentido” da antiga secretária de Estado: recordou que ajudou a formular as propostas aprovadas por Obama e questionou Hillary sobre a razão de os cuidados de saúde serem mais caros nos Estados Unidos do que em países como Reino Unido, França ou Canadá.

O caucus do Iowa está marcado para 1 de fevereiro e servirá para começar a definir os apoios das bases do Partido Democrata. Até lá, a estratégia de Hillary Clinton e Bernie Sanders parece passar por endurecer o discurso e frisar os pontos fracos do rival.