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Suécia. Polícia ocultou vaga de agressões sexuais

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Durante as edições de 2014 e 2015 de um festival de música em Estocolmo, dezenas de mulheres alegaram ter sido vítimas de agressões sexuais. Revelações surgem após o ataque em Colónia, na Alemanha, onde foram apresentadas 553 queixas - 54% das quais reportam “abusos sexuais” - devido a factos ocorridos na noite de 31 de dezembro para 1 de janeiro de 2016

A polícia sueca tem sido alvo de críticas, no seguimento de um caso que está abalar a Alemanha depois de na noite de passagem de ano dezenas de mulheres terem sido atacadas na cidade de Colónia. Na segunda-feira, as autoridades da Suécia admitiram ter ocultado incidentes semelhantes, em Estocolmo. Trata-se de informações sobre alegadas agressões sexuais contra mulheres, cometidas por jovens imigrantes, durante as duas últimas edições de um festival de música na capital.

O diário sueco “Dagens Nyheter”, que cita documentos internos da polícia, dá conta de 36 queixas por agressões sexuais, incluindo duas violações, durante as edições de 2014 e de 2015 do “We Are Sthlm”, festival que decorre em agosto na cidade de Estocolmo. “Certamente que deveríamos ter divulgado publicamente esta informação, sem dúvida. Não sabemos porque que razão isto não foi divulgado”, disse o porta-voz da polícia, Varg Gyllander, à agência AFP.

A polícia sueca não quis adiantar quantos homens eram suspeitos destas alegadas agressões. Contudo, o “Dagens Nyheter” relatou que cerca de 50 jovens refugiados afegãos, que entraram na Suécia sem os respetivos pais, eram suspeitos de estar envolvidos nos incidentes.

O primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, já veio criticar a ação da polícia e a forma como lidou com os incidentes, dizendo que se trata de “um grande problema democrático” em todo o país. “Sinto uma forte raiva pelo facto de jovens mulheres não conseguirem ir a um festival de música sem serem ofendidas, assediadas sexualmente e atacadas”, declarou Stefan Lofven, esta segunda-feira.

Também a líder da oposição, Anna Kindberg-Batra, reagiu à situação e pediu explicações ao ministro do Interior, Anders Ygeman, sobre o facto de a polícia ter ocultado tais informações à comissão parlamentar de Justiça. Em resposta, o ministro assegurou: “Isto tem de ser investigado e temos de ir até ao fundo da questão”.

Na sequência das críticas de que foi alvo, as autoridades suecas já prometeram uma investigação completa sobre o caso.

Colónia - a cidade onde não se sabe quantas mulheres foram atacadas

As revelações por parte da polícia sueca surgem após a polémica em torno da atuação da polícia de Colónia, a cidade alemã que sofreu uma vaga de agressões sexuais durante a noite de 31 de dezembro.

O ataque aconteceu na estação central de Colónia. No entanto, os factos só começaram a ser noticiados no início de 2016, cinco dias depois.

A polícia e os media foram acusados de terem encoberto os acontecimentos, alegadamente com o objetivo de proteger os atacantes. Contudo, as notícias foram surgindo à medida que eram conhecidos testemunhos, e não em reação ao acontecimento que esteve na sua origem.

O caso culminou com a exoneração do chefe da polícia de Colónia, além de protestos e manifestações.

Até esta segunda-feira ao final da tarde, deram entrada na polícia 553 queixas, 54% das quais reportam “abusos sexuais”. Há refugiados entre os acusados e ainda ninguém sabe ao certo o que se passou e quantas mulheres foram atacadas no total.

  • Na cidade onde não se sabe quantas mulheres foram abusadas naquela noite

    Colónia está irreconhecível desde os ataques da noite de passagem de ano: foram apresentadas 553 queixas, 54% das quais reportam “abusos sexuais”. Há refugiados entre os acusados e ainda ninguém sabe ao certo o que se passou e quantas mulheres foram atacadas. Manifestações de direita, contramanifestações, hooligans e neonazis ajustam contas, espalhando a inquietação. Com o maior carnaval da Europa à porta, a cidade tem pouco tempo para (se) convencer que a vida pode voltar ao normal. Reportagem em Colónia