Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Declínio da economia dos EUA é uma “ficção”, diz Obama

  • 333

POOL / REUTERS

No seu último discurso sobre o Estado da União, o Presidente norte-americano defendeu que o país tem “a economia mais forte e duradoura do mundo”, mas também reconheceu que ocorreram “mudanças profundas” que mantêm muitos compatriotas preocupados

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que falar em declínio da economia norte-americana é uma "ficção" e pediu para se "acelerar a transição energética" do país, maior consumidor de petróleo do mundo.

"Já vos disse que todas as discussões sobre o declínio da economia norte-americana eram uma ficção política (...). Os Estados Unidos da América são a nação mais potente do mundo", afirmou Obama, no tradicional discurso do Estado da União diante das duas câmaras do Congresso (Câmara dos Representantes e Senado), que arrancou pelas 21h10 (2h10 desta quarta-feira em Lisboa).

Naquele que é o seu último discurso do Estado da União, Obama destacou a recuperação económica alcançada durante a sua Administração, mas também reconheceu que ocorreram "mudanças profundas" que mantêm muitos norte-americanos preocupados.

"Os Estados Unidos têm a economia mais forte e duradoura do mundo. Mais de 14 milhões de novos postos de trabalho, os dois anos de maior crescimento do emprego desde os anos 1990, o desemprego reduzido a metade. Qualquer um que diga que a economia dos EUA está em declínio está a vender ficção", frisou.

O Presidente dos EUA admitiu, contudo, que "muitos norte-americanos" estão preocupados porque a economia "tem estado a mudar de forma profunda", citando a substituição de postos de trabalho pelas tecnologias de autómatos, a liberdade de movimento internacional para as empresas e o aumento das desigualdades.

"As empresas numa economia global podem estar localizadas em qualquer sítio e enfrentam maior concorrência. Como resultado, os trabalhadores têm menor capacidade de negociação. As empresas são menos fiéis às suas comunidades e mais e mais riqueza se concentra nas mãos dos mais ricos", apontou.

Segundo Obama, todos estes factos "espremeram" os trabalhadores, "incluindo os que têm emprego e incluindo quando a economia está em crescimento", e fizeram com que hoje seja "mais difícil" para uma família trabalhadora sair da pobreza, para os jovens iniciarem as suas carreiras profissionais e para os trabalhadores reformarem-se.

O Presidente dos Estados Unidos aproveitou ainda para lançar críticas aos bancos de Wall Street, cuja "temeridade" foi a causa da crise financeira, "e não as pessoas que vivem das ajudas governamentais para receber alimentos".

"Os imigrantes não são a razão pela qual os salários não subiram o suficiente, este tipo de decisões toma-se em salas de reuniões que com demasiada frequência colocam os resultados trimestrais acima dos retornos a longo prazo", acrescentou.

No capítulo do ambiente, Obama garantiu que vai exercer pressão para que haja "mudanças" e renovou a sua aposta nas energias limpas e o combate às alterações climáticas.

"Em vez de subsidiar o passado, devemos investir no futuro, especialmente nas comunidades que vivem dos combustíveis fósseis. Por isso, vou pressionar para mudar a maneira como gerimos os nossos recursos de petróleo e de carvão para que reflitam melhor os custos que representam para os contribuintes e para o planeta", apontou, admitindo que, porém, tal "não se faz do dia para a noite" e que há muitos "interesses" que querem proteger o 'status quo'.

"Mesmo que não fosse o planeta que estivesse em jogo (...) por que quereríamos deixar passar a oportunidade para as empresas dos Estados Unidos produzirem e venderem a energia do futuro?", questionou.

Obama também se dirigiu à oposição republicana neste capítulo, que recriminou por diversas ocasiões por continuar a negar as mudanças climáticas, dizendo-lhe, desta feita, que se quer "discutir a ciência, que o faça", mas advertindo que estarão "muito sozinhos".

"A maioria dos líderes empresariais dos Estados Unidos, a maioria do povo norte-americano, a quase totalidade da comunidade científica e 200 países de todo o mundo estão de acordo de que se trata de um problema e tentam solucioná-lo", concluiu.