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Internacional

400 pessoas em risco de morrer de fome numa cidade síria sitiada

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Os Médicos Sem Fronteiras garantem que desde dia 1 de dezembro já morreram de fome 28 pessoas naquela cidade. Várias eram crianças com menos de um ano de idade

OMAR SANADIKI

Apesar de esta segunda-feira terem chegado a Madaya 50 camiões de ajuda humanitária, as Nações Unidas avisam que continua a haver centenas de pessoas em risco de morrer de fome ou por falta de assistência média

A situação é dramática e precisa de uma solução urgente. O aviso é feito pelo chefe para os Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Stephen O'Brien, que falou à BBC da situação crítica que se vive em Madaya, a cidade síria na fronteira com o Líbano onde, devido ao cerco do Governo de Assad, centenas de pessoas passam fome.

O'Brien falou ao Conselho de Segurança da ONU para avisar que cerca de 400 das pessoas que vivem na cidade controlada pelos rebeldes sírios precisam de ser retiradas do local para receber tratamento médico. A ONU confirma que tem recebido “relatos credíveis sobre pessoas a morrer à fome e a serem mortas quando tentam fugir” de Madaya, assegura a BBC.

“Temos de encetar esforços o mais rapidamente possível para fornecer tratamentos médicos. Caso contrário, estas pessoas estarão em grave perigo de morte, seja por passarem fome ou por outras complicações de saúde”, frisou O'Brien na reunião convocada de emergência para discutir a crise de Madaya, que tem mais de 42 mil habitantes.

Responsáveis dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciaram no domingo as mortes de 28 pessoas de fome, entre elas, seis crianças com menos de um ano de idade, desde o dia 1 de dezembro. O Governo sírio, cujo cerco começou há seis meses, já veio desmentir estes números, negando que tenham ocorrido mortes naquela cidade.

Situação é “simplesmente horrível”

Esta segunda-feira, uma coluna de ajuda humanitária chegou a Madaya, pela primeira vez desde outubro passado. Os cerca de 50 camiões com bens alimentares, medicamentos, material cirúrgico e cobertores entraram na cidade no âmbito de uma operação coordenada pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio e pela Cruz Vermelha Internacional.

O diretor de operações dos MSF, Brice de la Vega, descreveu à BBC a situação na cidade como “simplesmente horrível”, acrescentando que se encontram em Madaya pelo menos 250 pessoas em estado muito crítico devido a fraqueza extrema.

A 18 de outubro os camiões humanitários tinham alcançado pela última vez as cidades controladas por rebeldes de Zabadani, Madaya, Foua e Kefraya.

Todas as partes envolvidas na guerra síria, ou seja, o Governo de Assad, os rebeldes e os grupos jiadistas têm cercado cidades daquele país, impedindo que os habitantes tenham acesso a bens de primeira necessidade para forçar a rendição dos inimigos.