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Francisco diz que podia ter ido parar à cadeia

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Franco Origlia / Getty Images

É uma de várias afirmações do Papa num livro por ele escrito e acabado de publicar, que promete continuar a gerar polémica

Luís M. Faria

Jornalista

O Papa Francisco diz que podia ter ido parar à prisão se as circunstâncias tivessem sido diferentes. A afirmação é feita num livro que acaba de sair, “Em Nome da Misericórdia”, e é o primeiro publicado pelo pontífice já no cargo. Escrito em forma de conversa com o vaticanista Andrea Tornielli, aborda muitas das posições que têm tornado ao mesmo tempo popular e controverso o Papa argentino que em 2013 sucedeu ao conservador Joseph Ratzinger.

Garantindo que a misericórdia é a mensagem mais importante e o “cartão de identidade” da igreja cristã, o Francisco conta como de cada vez que visita uma cadeia – o que faz com frequência – sente que não é superior às pessoas que ali estão, com as quais reconhece uma afinidade: “Porquê eles e não eu? Devia estar aqui. Mereço estar aqui”.

É o tipo de afirmação inovadora que o tem distinguido, a par de outras de que também surgem exemplos no livro: sobre o divórcio dos casais cristãos (uma das suas sobrinhas, conta, viveu com um homem casado), sobre a homossexualidade (há que ultrapassar “preconceitos e rigidez”, e as pessoas não devem ser definidas pela sua sexualidade), sobre a possibilidade de encontrar o amor em circunstâncias improváveis (um caso concreto num bordel, entre uma jovem prostituta e um cliente).

Em contrapartida, o Papa volta a criticar certos vícios da parte do clero, incluindo a hipocrisia, o orgulho e a corrupção, bem como o hábito de fazer perguntas de natureza íntima nos confessionários.

Numa época em que muita gente procura os adivinhos e outros fornecedores de “espiritualidade”, os padres devem “ouvir com ternura” e evitar os “excessos de curiosidade”, recomenda Francisco.

Luís M. Faria