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Espanha. Infanta Cristina e marido sentam-se no banco dos réus

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A Infanta Cristina e o marido, Inãki Urdangarín, perderam o título de Duques de Palma em 2014

ENRIQUE CALVO

Irmã do rei de Espanha e o marido enfrentam respetivamente penas máximas de oito e 19 anos de prisão, por envolvimento num caso de corrupção que implica antigos homens fortes do PP. Julgamento arrancou esta manhã sob fortes medidas de segurança

É um dia histórico para a casa real espanhola: esta segunda-feira, pela primeira vez, um membro da família real senta-se no banco dos réus. A infanta Cristina, irmã do rei Felipe, e o marido, Iñaki Urdangarín, respondem às acusações que os implicam no caso Noos, que desde 2010 ensombra a família real.

O investigação remonta a 2010, quando o procurador Pedro Horrach e o juiz José Castro investigavam outro caso de corrupção e, por coincidência, descobriram documentos que provavam a transferência de um milhão de euros do governo das Ilhas Baleares para o Instituto Noos, dirigido por Urdangarín e pelo então sócio, Diego Torres, e do qual a infanta era membro.

A investigação foi aprofundada e provou que o Instituto recebeu, entre 2004 e 2007, 5,8 milhões de euros em contratos fraudulentos com o governo regional, acordos que Urdangarín terá conseguido devido às suas ligações à família real e sem ter de recorrer a concursos públicos. O dinheiro seria supostamente aplicado a atividades promovidas por duas instituições do governo regional, a Fundació Illesport e o Instituto Balear de Turismo, e pelo onstituto presidido por Urdangarín, mas os eventos planeados nunca chegaram a acontecer.

Embora a irmã de Felipe VI não esteja acusada de participar no crime de desvio de fundos, a procuradoria argumenta que terá beneficiado do dinheiro desviado, enfrentando agora uma pena máxima de oito anos de prisão por acusações de fraude fiscal; já o marido, Iñaki Urdangarín, pode chegar a passar 19 anos e meio atrás das grades, acusado de crimes como tráfico de influências, fraude, branqueamento de capitais.

Cristina e o marido não são os únicos acusados. O caso Noos é de amplas dimensões e esta segunda-feira sentam-se no banco dos réus um total de 18 pessoas, a somar a 364 testemunhas. Entre os acusados encontram-se também o ex-sócio de Urdangarín, familiares e funcionários do Instituto Noos e antigos altos cargos do PP que desempenhavam cargos nos governos regionais das Ilhas Baleares, Comunidade Valenciana e Madrid, explica o diário espanhol “El País”.

Infanta e marido afastados da família real

Na manhã desta segunda-feira um grande aparato policial rodeava o Tribunal de Maiorca, onde o julgamento vai decorrer. A agência espanhola Europa Press adianta que à porta do edifício se encontram mais de 200 agentes.

O caso Noos já valeu à infanta e ao marido a perda do título de duques de Palma, em junho do ano passado. A decisão foi tomada pelo novo rei, Felipe VI, que tem elevado os níveis de popularidade da monarquia espanhola desde que herdou o título, em 2014.