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“Libertem os livreiros de Hong Kong agora!”

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ISAAC LAWRENCE/AFP/Getty Images

Milhares de manifestantes reuniram-se este domingo em Hong Kong em nome da libertação de cinco livreiros que desapareceram misteriosamente desde outubro. A população suspeita que foram detidos pelas autoridades chinesas por causa da venda de livros críticos do regime. “Eles devem-nos uma resposta”, atirou um dos organizadores do protesto

Lembra-se da revolução dos guarda-chuvas que em 2014 fez estremecer a China? Este domingo a população voltou a sair às ruas em nome da liberdade. Em 2014, o motivo era a democracia e a liberdade de escolha do governador de Hong Kong (que o Partido Comunista Chinês queria condicionar), hoje é a liberdade de expressão.

Milhares de manifestantes juntaram-se este domingo nas ruas de Hong Kong, nos arredores dos edifícios do Governo, o local escolhido para os protestos de 2014. Exigem a libertação de Gui Minhai, Lee Boo, Lui Bo, Cheung Ji-ping e Lam Wing-kei, cinco livreiros que desapareceram misteriosamente desde outubro de 2015.

Os desaparecidos trabalhavam na editora Mighty Current e livraria Causeway books, conhecidas pelas obras críticas do regime de Pequim, o que deu ênfase às suspeitas de que o seu desaparecimento foi obra das autoridades chinesas.

“Onde estão eles?”, “Libertem os livreiros de Hong Kong agora!” e “Contra a perseguição política!” são algumas das mensagens que podem ser lidas nos cartazes dos manifestantes, segundo noticiam a agência Reuters e o jornal “The Guardian”.

“Eles devem-nos uma resposta”, declarou ao “The Guardian” o deputado do Partido Democrata que ajudou a organizar o protesto. “Estamos legitimados para ser notificados sobre o estatuto dos cidadãos de Hong Kong que estão a ser detidos na China.”

O escândalo do desaparecimento dos livreiros de Hong Kong deixou, segundo afirmou ainda outro político do mesmo partido, Sin Chung-kai, o modelo “um país, dois sistemas” da região administrativa especial da China “à beira do colapso”. Hong Kong tem este estatuto de autonomia relativamente a Pequim desde o acordo assinado com a Grã-Bretanha para devolução do território à República Popular da China, em 1997.

  • O mistério dos cinco livreiros desaparecidos

    Lee Bo é apenas o mais recente dos desaparecimentos em Hong Kong ligados à editora Mighty Current, conhecida por disponibilizar livros proibidos na China. De outubro até agora, são cinco as pessoas em parte incerta e nem uma suposta carta de Lee Bo afasta a suspeita de todos terem sido sequestrados pela polícia chinesa