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Três prisioneiros deixam Guantánamo em menos de uma semana

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Bob Strong / Reuters

Em menos de dois dias, três prisioneiros deixaram as instalações prisionais de Guantánamo. Barack Obama está decidido a cumprir a sua promessa antiga de encerrar definitivamente a prisão

Helena Bento

Jornalista


Em menos de dois dias, três dos 107 detidos em Guantánamo abandonaram a prisão de alta segurança. Depois de dois iemenitas terem sido transferidos para o Gana, o Governo norte-americano anunciou a libertação de Faiz Mohammed Ahmed al-Kandari, um kuwaitiano de 38 anos que, tal como grande parte dos indivíduos que ainda se encontram detidos em Guantámo, nunca foi formalmente acusado.

A sua saída das instalações prisionais deixa o Presidente norte-americano Barack Obama mais perto de alcançar o objetivo de encerrar definitivamente a prisão até ao fim do seu mandato, objetivo a que se propôs em 2009, quando chegou à Casa Branca. Até ao final deste mês, é esperada a libertação de outros 17 prisioneiros.

Faiz Mohammed Ahmed al-Kandari estava detido desde maio de 2002 e, embora nunca tenha sido presente a tribunal, as forças especiais em Guantánamo afirmavam ter provas de que o kuwaitiano fora recruta da Al-Qaeda e que estivera ao serviço de Osama Bin Laden enquanto "guia espiritual", refere o britânico "Guardian". Durante os vários interrogatórios a que foi submetido, Ahmed al-Kandari sempre negou a sua ligação ao grupo terrorista.

Na quinta-feira, 7 de janeiro, dois iemenitas, Mahmmoud Omar Mohammed Bin Atef e Khalid Mohammed Salih al Dhuby, foram transferidos da prisão de Guantánamo para o Gana, onde ficarão à guarda das autoridades ganenses durante os próximos dois anos. A transferência dos dois indivíduos já tinha sido ordenada em duas ocasiões, em 2006 e 2007, e tanto um como outro faziam parte do grupo de 46 prisioneiros com transferência aprovada pelo Gabinete Provisório de Revisão de Guantánamo (GPRG), mas o processo foi-se arrastando até agora.

Os atrasos nos processos de transferência de detidos têm sido, aliás, duramente criticados por especialistas e advogados. Entre os vários casos que ilustram esta situação, destaca-se o de Mohamedou Ould Slahi (autor do livro "Diário de Guantánamo"), que se encontra detido na prisão desde 5 de agosto de 2002, sem nunca ter sido acusado. Em 2010, um juiz federal norte-americano ordenou a sua libertação, mas o Governo dos Estados Unidos interpôs um recurso e o processo tem vindo a arrastar-se desde então.

O Congresso tem sido apontado como o principal obstáculo ao encerramento da prisão, mas em dezembro do ano passado a Reuters noticiou que o Pentágono tem também dificultado os esforços de Barack Obama para fechar Guantánamo, ao criar obstáculos burocráticos nas negociações para as transferências dos detidos.

Um responsável norte-americano, que preferiu não se identificar, disse ao "Guardian" que o próximo prisioneiro a ser libertado - já este mês, ao que tudo indica - é Muhammad Abd al-Rahman Awn al-Shamrani, um saudita de 40 anos que chegou a Guantánamo em 2002, ano em que o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, assinou um plano especial que autorizava métodos de interrogação mais extremos, tais como tortura, isolamento, privação do sono, ameaças, obrigação de permanecer em salas com temperaturas muito baixas, entre outras.