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Merkel favorável a facilitar regras de expulsão de refugiados condenados na Alemanha

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MICHAELA REHLE

“Se os refugiados cometeram um delito”, isso deve “ter consequências (...). Se um refugiado desrespeita as regras, então deve haver consequências”, declarou este sábado a chanceler alemã, tendo como pano de fundo as agressões em Colónia. “Isso significa que podem perder a sua residência aqui”. E vai ainda mais longe: “se a lei não é suficiente, então a lei deve ser mudada”

A chanceler alemã Angela Merkel mostrou-se este sábado favorável a um endurecimento das regras de expulsão de refugiados condenados na Alemanha, incluindo as penas suspensas, posição tomada depois das agressões de Colónia na noite da passagem de ano.

"Se os refugiados cometeram um delito", isso deve "ter consequências (...), isso significa que o direito (a permanecer na Alemanha) deve ser travado se existe uma pena de prisão ou até mesmo uma pena suspensa", afirmou Angela Merkel, citada pela Agência France Presse (AFP), durante uma conferência de imprensa após uma reunião da liderança do partido em Mainz (sudoeste).

A chanceler foi ainda mais longe na explicação da sua posição: "Se um refugiado desrespeita as regras, então deve haver consequências, isso significa que podem perder a sua residência aqui, independentemente de saber se têm uma pena suspensa ou uma pena de prisão", disse Angela Merkel.

A chanceler concluiu que "se a lei não é suficiente, então a lei deve ser mudada", mostrando assim a sua indignação perante as agressões registadas em Colónia, e argumentando que um endurecimento de regras é "não só no interesse da cidadãos mas também do interesse dos refugiados que estão" na Alemanha.

Angela Merkel falava depois de um encontro de líderes políticos do partido alemão União Democrata-Cristã (CDU), no qual foi aprovada uma moção para promover a expulsão de delinquentes e condenados.

“Colónia mudou tudo”

Segundo as regras atuais, os requerentes de asilo condenados só podem ser expulsos se tiverem recebido sentenças de prisão de três anos e, além disso, as suas vidas não podem estar em risco nos seus países de origem. “Colónia mudou tudo”, comentou o vice-presidente da CDU, Volker Bouffier.

O Ministério do Interior alemão anunciou sexta-feira que identificou 31 suspeitos que estão a ser investigados pela onda de agressões e roubos verificada na cidade de Colónia, 18 dos quais são requerentes de asilo. "Dos 31 suspeitos cujos nomes conhecemos, 18 são requerentes de asilo", afirmou o porta-voz do Ministério, Tobias Plate, apontando que são suspeitos de roubos e agressões e ressalvando que ainda estão por identificar os autores de alegadas agressões sexuais.

Na sexta-feira, a polícia estadual de Colónia confirmou terem sido feitas 121 queixas de agressão, baseadas em relatos de alegados raptos e atos de agressão sexual, no que foi aparentemente uma vaga de ataques coordenados numa grande multidão que se juntou na rua para celebrar a chegada do novo ano, a 31 de dezembro.

As vítimas dos ataques apontaram homens "de aparência árabe ou do norte de África" como os autores, dando origem a um debate aceso sobre a capacidade de a Alemanha integrar os quase 1,1 milhões de refugiados que procuraram o país em busca de asilo no último ano.

A polícia registou mais de 120 queixas apresentadas por mulheres sobre assaltos, abusos sexuais e duas violações, alegadamente cometidos por grupos de homens jovens que se encontravam entre a multidão que comemorava a passagem de ano perto da principal estação de comboios da cidade. Várias testemunhas relataram que grupos de 20 a 30 jovens adultos "que pareciam ser de origem árabe" cercaram e agrediram as vítimas.