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Madaya, a cidade síria onde 42 mil pessoas estão sem comida

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Manifestantes pedem o levantamento do cerco na cidade de Madaya

KHALIL ASHAWI

Há três meses que os comboios humanitários não conseguem entrar na cidade para distribuir comida e medicamentos. Guerra continua a devastar o país

Em Madaya, uma cidade síria perto da fronteira com o Líbano, existem pessoas a morrer à fome. Os relatos apontam para a existência de 42.000 pessoas sem comida. A área está cercada pelas tropas do regime Damasco e já há quem mate a vontade de comer com folhas das árvores.

Foi há quase três meses, 18 de outubro, que os comboios humanitários conseguiram alcançaram pela última vez as cidades rebeldes de Zabadani e Madaya, assim como as localidades de Foua e Kefraya. Esta quinta-feira, o governo sírio autorizou a entrada de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) na cidade e em mais outras duas localidades.

Em comunicado, a ONU partilhou “com satisfação a autorização do Governo sírio” e disse ter conhecimento de “relatos credíveis sobre pessoas a morrer à fome e a ser mortas quando tentam fugir”. As entregas de comida, medicamentos e cobertores só vão começar entre domingo e segunda-feira, fez saber a Cruz Vermelha.

“De facto, falta tudo” em Madaya, resumiu Pawel Krzysiek, porta-voz do Comité internacional da Cruz Vermelha, que esteve na cidade durante a última operação de ajuda humanitária em outubro. “As pessoas estão há muito sem alimentos de base, sem medicamentos de base, sem eletricidade e água (...). Vi de facto a fome nos olhos das pessoas.”

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) dá ainda conta da morte de 23 pessoas no hospital de campanha desde 1 de dezembro.

A fome em Madaya

O cerco montado pelas forças do regime do presidente sírio Bashar al-Assad fecha portas a informações mais específicas. Os relatos conhecidos são dados essencialmente por telefone.

Nasir Ibrahim, ativista, conta que existem pessoas a comer folhas das árvores para sobreviver, sendo que o preço de um quilo de arroz pode atingir os 200 dólares (184 euros). Os mais afortunados conseguem comprar arroz com o dinheiro que os familiares no exterior lhes fazem chegar através dos postos de controlo governamental nos arredores da cidade.

Outro caso, relatado pelas Nações Unidas em comunicado, é o de um homem de 53 anos “que morreu à fome” na terça-feira “enquanto a sua família continua a sofrer de uma severa má nutrição”.

Pela Internet continuam a circular fotos e vídeos que mostram a subalimentação dos habitantes em Madaya. Um dos muitos exemplos é o Mohammed Issa, um menino de oito anos que numa gravação jura não comer “há sete dias”.