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Espanha: governo à portuguesa “matará” a unidade nacional

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Alberto Frias

PSOE, cujo líder se reuniu em Lisboa com António Costa, diz que anda à procura de um governo “progressista”, mas o PP, que ganhou as eleições e tenta formar governo, garante que uma solução à portuguesa obrigará os socialistas espanhóis a fazerem cedências aos partidos nacionalistas

Uma solução de governo à portuguesa em Espanha, tal como foi defendido esta quinta-feira em Lisboa pelo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), “poderia comprometer” a unidade nacional. O Partido Popular (PP) não perdeu tempo e em comunicado antevê o fim do reino de Espanha tal como o conhecemos se Pedro Sánchez seguisse os passos de António Costa.

Um acordo das esquerdas “não seria progressista mas separatista”, pode ler-se numa nota divulgada esta quinta-feira pelo PP onde se argumenta ainda que Sánchez “não pensa no interesse geral dos espanhóis, nem no futuro do seu próprio partido: só pensa salvar a sua carreira política a qualquer preço”.

Para os populares, ao defender esta quinta-feira em Lisboa, a formação de um executivo “progressista, tal como em Portugal”, Pedro Sánchez está a esconder um “acordo com os separatistas”. E acrescentam: “A unidade de Espanha é o preço que Sánchez parece estar disposto a pagar em troca da sua investidura.”

Os argumentos avançados pelo PP vão de encontro ao de alguns barões do PSOE, para quem a existência de partidos nacionalistas em Espanha, ao contrário do que acontece em Portugal, inviabiliza um acordo semelhante ao que foi alcançado por António Costa, já que os socialistas espanhóis jamais poderiam concordar com um referendo à independência da Catalunha.

Numa entrevista publicada a 26 de dezembro no diário espanhol “El País”, Sánchez disse que tinha por objetivo “unir” o PSOE num “pacto das esquerdas” mas desde que “se respeite a integridade territorial” de Espanha.

Esta quinta-feira, depois de ter estado reunido em Lisboa, cerca de hora e meia com António Costa, o líder do PSOE recusou, em absoluto, viabilizar um executivo liderado pelo PP do primeiro-ministro em funções Mariano Rajoy, que venceu as legislativas de 20 de dezembro com 123 deputados e 28,7% dos votos, seguido do PSOE, com 90 deputados e 22%.

O Podemos conquistou 69 lugares, com cerca de 20,6%, seguindo-se o Ciudadanos, com 40 deputados e 13,9%, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), com nove eleitos e 2,3% dos votos nacionais, a Democràcia y Llibertat (oito deputados e 2,2%), o Partido Nacionalista Basco (seis deputados e 1,2%).

Sem conseguirem formar um grupo parlamentar no Congresso ficaram a Esquerda Unida (dois deputados e 3,6%), o partido basco EH (2 lugares e 0,8%) e a Coligação Canária (um deputado e 0,3%).

Rajoy tem mantido contactos para tentar formar com maioria, mas até agora sem qualqier sucesso.