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Berlim promete mão dura contra refugiados que atacaram dezenas de mulheres

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Dos 30 agressores identificados pela polícia alemã, 18 são requerentes de asilo. O caso dos cerca de mil africanos e árabes que assaltaram, assediaram e violaram dezenas de mulheres na cidade de Colónia está a gerar críticas à política de acolhimento dos refugiados na Alemanha

OLIVIER HOSLET / EPA

O Governo alemão ouviu as críticas sobre a sua alegada inação quanto ao caso dos mil africanos e árabes que na noite de passagem de ano atacaram dezenas de mulheres na cidade de Colónia e já reagiu. Esta sexta-feira, os partidos da coligação que governa a Alemanha prometeram uma dura resposta aos migrantes que cometeram estes crimes, noticia o diário espanhol “El País”.

A polémica instalou-se no país de Angela Merkel depois de a polícia e testemunhas terem descrito os atacantes, que assaltaram, assediram e violaram dezenas de mulheres, como tendo aparência árabe ou africana. O Ministério do Interior alemão vem agora revelar que, depois de 120 denúncias terem sido registadas naquela cidade (a somar a outras 50 em Hamburgo), a polícia já identificou 30 agressores, sendo que 18 destes são requerentes de asilo.

A CDU, liderada pela chanceler alemã, pede agora que as penas para os requerentes de asilo que cometerem crimes sejam mais pesadas, de acordo com informações reveladas pela Reuters, que teve acesso ao rascunho de um documento que está a ser preparado por aquele partido. No documento, citado pelo “El País”, a CDU defende que os requerentes de asilo que tiverem sido condenados por um crime no passado sejam impedidos de entrar na Alemanha e pede que a deportação dos mesmos seja facilitada.

O vice-chanceler e ministro da Economia alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel, falou à revista “Bild” para defender estas medidas: “Porque é que os contribuintes alemães têm de pagar para manter na prisão criminosos estrangeiros?”. Para Gabriel, “a ameaça de cumprirem penas nas prisões dos países de origem é mais disuasora do que a ideia de terem de o fazer nas prisões alemãs”.

Polícia, governo e media muito criticados

A informação sobre a aparente origem árabe e africana dos agressores já tinha gerado protestos e críticas na Alemanha, onde governo, polícia e meios de comunicação social foram acusados de encobrir o caso para proteger a política de acolhimentos dos refugiados. Tudo porque o caso só foi assumido pelos governantes e noticiado pela imprensa a 4 de janeiro, ou seja, quatro dias depois dos acontecimentos.

A polícia também foi criticada pelo próprio ministro da Administração Interna Thomas de Haizière, que defendeu que as autoridades agiram mal ao optarem por evacuar de imediato a estação de comboios de Colónia onde tudo aconteceu, esperando que as queixas fossem registadas e os agressores identificados posteriormente.

Esta quinta-feira, a revista “Bild” revelou um relatório policial que refere que a atitude da polícia foi justificada pelo cenário devastador com que os agentes se depararam na noite de 31 de dezembro: “Milhares de homens, aparentemente migrantes, lançavam fogo de artifício e atiravam garrafas à multidão”, lê-se no documento.

Os protestos mais fortes têm surgido de grupos de extrema-direita alemães, como o Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla alemã) e o “Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente” (Pegida, em alemão), que têm atribuído as culpas às políticas de imigração e acolhimento aos refugiados do Governo de Merkel.

Um milhão de migrantes recebidos só em 2015

Esta semana, tanto o chefe da polícia local Wolfgang Abers, como a prefeita de Colónia Henriette Reker vieram a público pedir que não se tirem conclusões precipitadas.“Não há provas de que os atacantes com que estamos a lidar sejam refugiados”, disse Reker em conferência de imprensa, na passada terça-feira.

A Alemanha tem vivido um aceso debate interno sobre o acolhimento de refugiados. No ano passado, o país de Merkel recebeu mais de um milhão de migrantes.